ESCUTAI-O! (Mt 17,1-9) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Na cena da Transfiguração de Jesus, no alto da montanha, nossa atenção é atraída para os fenômenos visuais com seu rico vocabulário: rosto brilhante como o sol, roupas brancas como a luz, a nuvem luminosa… Os pintores e os iconógrafos se esmeraram em retratar a luminosidade do cenário.
Contudo, a inesperada voz que sai da nuvem – a voz do Pai – não vem chamar a nossa atenção para aquilo que se pode VER, mas para o que se deve OUVIR: – “Este é o meu Filho amado, nele está meu pleno agrado: ESCUTAI-O!” Logo, a mensagem principal não se dirige aos olhos, mas aos ouvidos.
Passaram séculos e continuamos na direção errada: multidões atentas a milagres visíveis, o sol girando, paralíticos deixando as muletas, como espetáculo para nossos olhos (e para a TV). E somos esses mesmos fiéis que ainda não levamos a sério aquilo que Jesus nos repete ao longo dos quatro evangelhos: perdoar as ofensas, rezar pelo inimigo, partilhar o pão…
A mensagem da Transfiguração simplesmente repete – ainda que intensificada pela proximidade da Paixão – a mesma mensagem do Batismo no Jordão: “Este é meu Filho bem-amado!” O Pai não está absolutamente interessado em firulas de mágicos, na prestidigitação de curandeiros, em efeitos especiais, mas quer simplesmente que nós conheçamos seu Filho. Ele é o Caminho.
Aquele que se aproxima de Jesus, ouve suas palavras, imita seus gestos, inicia um processo de “metamorfose” (esta é a palavra grega deste Evangelho, normalmente traduzida como “transfiguração”) que vai revelando, dia a dia, as altitudes a que é chamada a pessoa humana.
Os críticos habituais de nossa religião não encontram grande dificuldade em contestar nossos dogmas, mas ficam mudos e perplexos diante do testemunho de pessoas que “conheceram” de fato a Jesus, a ponto de viverem como Jesus viveu: uma vida de desprendimento, de amor ao próximo, de sacrifício pela humanidade. Dom Bosco, Madre Teresa, Alberto Schweitzer estão nesta lista. Eles demonstram com a própria vida qual é a essência do Evangelho.
Assim, não precisamos de novas transfigurações. Precisamos conhecer Jesus, o Amor que se fez carne para nos salvar.
Afinal, não é o milagre… é o amor que transfigura…

Orai sem cessar: “Fala, Senhor, que teu servo escuta!” (1Sm 3,10)

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