DELES É O REINO DOS CÉUS… (Mt 5,1-12a) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

banqueteDeles, quem? Ora, segundo a estranha “receita de felicidade” apresentada por Jesus Cristo, o prêmio é exatamente para os perseguidos. Para aqueles que choram. Para os mansos. Para os que têm fome e sede de justiça. Para os que promovem a paz. Para os pobres em espírito.
Então? A promessa exclui os violentos. Os que vivem na fartura. Os que nada têm a esperar, pois nada lhes falta. Como dar o presente a quem não espera recebê-lo? Sim, é a mão vazia que recebe a esmola…
Não creio que se deva entender a promessa do Reino como uma “compensação”: você teve fome, agora tem um banquete. Você chorou, agora recebe um lenço. Você foi pobre, agora terá abundância, segurança, plano de saúde, cartão de crédito, casa de luxo. Nada disso! O Reino do céu não pode ser um prêmio de consolação.
Então, que será? Ora, o Reino que Jesus anuncia para nós será um “preenchimento”, uma vida em plenitude, uma realização total e totalizante. E para quem será? Para quem esperava pelo Reino. Para quem sentia sua falta. Para quem não se distraía com as benesses do mundo e vigiava à espera do Reino…
Naquele iate de Mônaco, ninguém esperava por nada. Já tinham tudo. Na casinha de pau-a-pique, Dona Maria debulhava as contas do rosário, pedindo a vinda do Senhor. A diferença essencial não está no contraste entre vidro fumê e barro, entre veludo e chita, entre foie-gras e farofa. Não. A diferença essencial está na expectativa: quem pensa que tem tudo, já não espera por nada; quem tem espaços vazios, este será preenchido.
Na expressão de Hébert Roux, “a noção de recompensa não está ausente do Evangelho; só que ela está sempre subordinada a uma expectativa pela intervenção de Deus, e não constitui um direito que resultaria da prática de certas virtudes”. Está claro? Não se merece o Reino. Não se conquista o Reino. Ganha-se o Reino como presente, como dom, como Graça…
Então, o rico poderia ganhar o Reino? Claro que sim, se ele espera pelo Reino. E se o rico de fato espera pelo Reino, não irá orientar sua vida pelo dinheiro, pelo lucro, pela acumulação, pelo esbanjamento. Certamente, na expectativa do Reino, darás muitas esmolas, criará muitos empregos, fará a experiência da partilha – sinais evidentes da espera pelo Reino de Deus!
Pode até ocorrer que, enamorado pelo Reino – e apaixonado pelo Rei! -, o rico decida abrir mão de suas riquezas de modo a ter mais tempo livre para esperar por ele. Francisco de Assis fez assim. Charles de Foucauld também. Ignácio de Loyola também. Bem-aventurados! Mais alguém se habilita?

Orai sem cessar: “Agradam ao Senhor os que esperam na sua bondade!” (Sl 147,11)

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