VIERAM PARA DETÊ-LO… (Mc 3,20-21) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

jesusApenas dois versículos do Evangelho são suficientes para evidenciar as barreiras experimentadas por Jesus Cristo em seu ministério. Que ele fosse perseguido pelos saduceus, é natural: eles detinham o poder religioso e lucravam com isso; Jesus dá de graça a cura e o perdão. Que Jesus fosse contestado pelos fariseus, entende-se: eles pregavam a Lei na pedra fria; Jesus apontava para a misericórdia.
Desta vez, porém, os inimigos são “de dentro”: “Até o amigo em quem eu confiava, também aquele que comia do meu pão, levanta contra mim seu calcanhar”. (Sl 41[40],10.) Desta vez, são os familiares de Jesus que o procuram “para detê-lo” em sua missão, pois um aprendiz de carpinteiro que se faz de profeta e taumaturgo, só pode ter enlouquecido…
Curar é sinal de loucura? Falar do amor do Pai é coisa de demente? Preferir os marginais é sintoma de desequilíbrio mental? Foi exatamente isto o que eles pensaram…
Ainda hoje, pode parecer loucura apostar na esperança. Optar por uma vida simples e sóbria. Acreditar no amor e na fidelidade. Loucuras… para o mundo pagão.
Entre outras loucuras modernas, destaca-se a misericórdia. É neste momento que apontam o “bandido morto” como o “bandido bom”. É neste Séc. XXI que reclamam a pena de morte para justiçar o criminoso. É em nossos dias que os pobres são expulsos de seu lar quando não podem pagar as prestações da casa própria.
Daí, a importância e a atualidade das palavras do Papa Francisco em sua Carta apostólica “Misericordia et Misera”, de novembro de 2016:
“Querer estar perto de Cristo exige fazer-se próximo dos irmãos, porque nada é mais agradável ao Pai do que um sinal concreto de misericórdia. Por sua própria natureza, a misericórdia torna-se visível e palpável numa ação concreta e dinâmica. Uma vez que se experimentou a misericórdia em toda a sua verdade, nunca mais se volta atrás: cresce continuamente e transforma a vida. É, na verdade, uma nova criação que faz um coração novo, capaz de amar plenamente, e purifica os olhos para reconhecerem as necessidades mais ocultas. […]”
“A misericórdia renova e redime, porque é o encontro de dois corações: o de Deus que vem ao encontro do coração do homem. Este inflama-se e o primeiro cura-o: o coração de pedra fica transformado em coração de carne (cf. Ez 36, 26), capaz de amar, não obstante o seu pecado. Nisto se nota que somos verdadeiramente uma ‘nova criação’ (Gl 6,15): sou amado, logo existo; estou perdoado, por conseguinte renasço para uma vida nova; fui ‘misericordiado’ e, consequentemente, feito instrumento da misericórdia.” (MeM, 16)
Seremos loucos a ponto de seguir este caminho?

Orai sem cessar: “O que é loucura de Deus é mais sábio que os homens.” (1Cor 1,25)

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