PÚRPURA E LINHO… (Lc 16,19-31) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

lazaroNeste Evangelho, estamos na Palestina romana. Os tecidos de púrpura vinham da Fenícia: na região de Tiro e Sidônia produzia-se a tintura extraída de um molusco do Mediterrâneo, o múrex. Os tecidos de linho eram importados do Egito. Nada que estivesse ao alcance do homem comum. Luxos da elite! Com duas rápidas pinceladas – púrpura e linho – o evangelista São Lucas mostra o refinado “padrão de vida” do ricaço.
Na escadaria de mármore da mansão, chagas e cães. E o pobre Lázaro, a única personagem das parábolas de Jesus que mereceu um nome próprio. A tal ponto que seu nome passou a ser usado como sinônimo de “leproso”. Mesmo no interior do Brasil, os hospitais que acolhiam os enfermos do Mal de Hansen eram chamados de “lazaretos”.
Lá dentro, esplêndidas festas. Fausto e desperdício. Cá fora, miséria e fome. Dor e abandono. Mas era uma situação provisória, como tudo o mais nesta vida. Afinal, todos acabam morrendo um dia: ricos e pobres. Também estes morreram: Epulão e Lázaro. E de pronto a situação se inverte: este último, repousa no seio de Abraão (metáfora para nosso céu); aquele, geme no inferno, “em tormentos”.
A linguagem simbólica da parábola apenas indica que os fossos que cavamos neste mundo temporal permanecem intransponíveis na eternidade. As pontes que não estendemos nesta vida, são impossíveis na outra.
Vendo baldadas suas tentativas de obter algum alívio em suas penas, o ricaço pede que seus irmãos (são outros cinco, vivendo a mesma vida!) recebam um aviso do além-túmulo. Uma mensagem assim, meio “espírita”, teria – pensa ele – a capacidade de chocar e despertar aqueles indiferentes…
De qualquer modo, seu pedido não é atendido. Afinal, seus irmãos já receberam inúmeros recados, repetidos avisos ao longo da história de Israel: Moisés e Isaías ficaram roucos de tanto gritar, mas não foram ouvidos. Ora, se a Lei e os profetas não conseguiram mover os corações de pedra, nenhum fantasma o conseguiria…
A lição parece bem clara: nossa fria indiferença diante dos mais necessitados poderá custar muito caro. E é exatamente o pobre que convive conosco quem nos pode assinar o passaporte para o céu…

Orai sem cessar: “A ti, Senhor, o pobre se encomenda.” (Sl 10,14)

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