VINHO NOVO, ODRES VELHOS… (Mt 9,14-17) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

odresQuando lecionei no Curso Técnico de Química, aprendi que determinado ácido devia ser acondicionado em frascos de barro, pois ele corroía o vidro. Os fabricantes de perfume se esmeram ao escolher o recipiente para suas essências, dando-lhes um ar de nobreza e refinamento.
Também no Oriente, não se guardava o vinho novo em qualquer tipo de odre. O couro ressequido de um odre já usado não resistiria à expansão dos gases de um vinho novo, ainda em fermentação. Acabaria rompido, perdendo-se o vinho e o cantil.
É um sinal de sabedoria encontrar o vaso certo para o conteúdo que vamos guardar. Quando surgiram os primeiros grupos de oração de linha carismática, muitos erros foram cometidos, na sofreguidão de derramar o vinho novo do Espírito, mas sem levar em conta o ressecamento da vida paroquial. Não admira que fossem tantas e tão graves as rejeições experimentadas…
Equívoco semelhante ocorre quando se tenta transmitir a catequese e a doutrina para fiéis (crianças, jovens ou adultos) que ainda não ouviram o querigma, o primeiro anúncio do Evangelho. Que sentido faz para um jovem ouvir falar de sacramentos antes de experimentar em sua vida a presença única de Jesus? Antes de fazer uma opção pessoal pelo único Salvador de nossas vidas?
É preciso levar em conta a relação entre os vasos e seu conteúdo. Paulo sabia disso, ao contrastar o barro humano e a Graça divina: “Trazemos esse tesouro [a luz em nossos corações] em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós”. (2Cor 4,7.) Ninguém devia iludir-se e superestimar sua própria natureza!
Olhando à nossa volta, vemos vários setores da Igreja claramente petrificados, mumificados, sem vida e sem movimento. Odres velhos, não? Ao contrário, conheço paróquias vivas, pulsantes, irradiantes, onde foi derramada a água viva do Espírito, renovando previamente os corações que deveriam – depois! – acolher e transmitir a Boa Nova. Ali se experimenta, agora, o vinho novo, borbulhante e capitoso.
Procissões, novenas, tríduos, cavalgadas, práticas repetidas ao longo de décadas, sem que seus participantes acordem para a fome do pobre, para a solidão dos idosos, para a ruína das famílias. Quando virá o fogo do céu?

Orai sem cessar: “Vem, ó Espírito, dos quatro ventos!” (Ez 37,9)

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