UMA FÉ TÃO GRANDE… (Lc 7,1-10) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

féMais uma vez, nos Evangelhos, Jesus se mostra admirado ao deparar com manifestações de fé entre os estrangeiros, enquanto seus próprios conterrâneos não se mostravam dispostos a fazer aposta semelhante. São Mateus registra que a falta de fé dos nazarenos chegou a impedir que Jesus fizesse milagres (cf. Mt 13,58). O centurião romano, ao contrário, foi um desses que ousaram apostar…
André Louf comenta: “A cada vez que Jesus, no Evangelho, encontra a fé naquele que se apresenta diante dele, acontece um milagre, infalivelmente. É que em Jesus a onipotência de Deus habita o mundo, à disposição dos homens”. Isto deve explicar que os milagres se tornem raros entre nós: pura falta de fé, e não a indiferença de Deus…
Prossegue o monge cisterciense: “Se a onipotência de Deus parece, às vezes, pouco operante, pouco eficaz, é porque ela está como amarrada pela falta de fé exatamente daqueles que deveriam gerá-la para o bem de todos. Sozinha, basta a fé, mesmo pequenina, mesmo minúscula como o grão de mostarda no côncavo da mão, para liberar a onipotência divina e torná-la ativa através da oração de todos aqueles que passam necessidade”.
No caso deste Evangelho, ele pergunta: “Em quê a fé do centurião foi excepcional? Primeiro, simplesmente porque o centurião não é um judeu, mas um estrangeiro que não pertence ao povo da Aliança. Não apenas um estrangeiro, mas até um inimigo, oficial do exército de ocupação. A este título, a atitude do centurião é seguramente espantosa”.
De fato, o militar que pede a cura de seu escravo não se apoia apenas da fama de Jesus. Vai além. Ele faz um autêntico ato de fé: “Dize uma palavra… e será curado!” Despido de sua patente de oficial, ele se humilha e reconhece o poder de Jesus. O centurião se confessa indigno de ter a presença do Mestre em sua própria casa, mostrando que a fé costuma fazer dupla com a humildade, enquanto a descrença tantas vezes se explica pelo orgulho…
“Hoje – conclui André Louf – os estrangeiros que somos nós, também podemos ser privilegiados da fé, como o soldado romano. A onipotência divina, outrora rejeitada em Jesus pelo antigo Israel, permanece atualmente à disposição da Igreja e pode ser gerada pela pessoa de cada crente, gratuitamente, como um dom inesperado, imerecido, da parte de Deus.”
É triste pensar no desperdício da graça gerada pelos sacramentos, no rio de água viva que jorra em cada celebração eucarística, mas nos encontra alheios e distraídos, preenchidos por preocupações e empreendimentos meramente humanos, contando apenas com nosso esforço e suor. E Jesus ali presente, à espera de nosso ato de fé…

Orai sem cessar: “Só no Senhor está minha esperança!” (Sl 62,6)

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