POR ÚLTIMO, ENVIOU O FILHO… (Mc 12,1-12) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

filhoSim, por último… Isto é, esgotadas todas as possibilidades, o Senhor da Vinha vai ao extremo impensável de arriscar o próprio Filho – Aquele que se encarnou, nascendo de Mulher! – com gente que não merecia sequer um cacho de uvas… Ele devia mesmo amar a sua Vinha!
Jean Valette comenta: “No Antigo Testamento, a vinha é Israel. Os ouvintes de Jesus são mergulhados por esta imagem em um clima que não podia ser mais familiar. Pelo menos os mais cultos conheciam a sequência da história. Podiam entender Jesus a criticar a conduta de Israel, a vinha ingrata. Então, devem ter ficado desconcertados pela brusca bifurcação operada por Jesus em uma inesperada direção. Já não se trata da vinha, de fato, mas daqueles que a cultivam, os chefes religiosos.
Dito isto, os sumos sacerdotes, os escribas e os anciãos podiam sentir-se ao abrigo das acusações implícitas de Jesus. Nunca tinham matado profetas, mas veneravam muito os de outrora, a ponto de edificar-lhes monumentos. No entanto, o que eles não esperavam – e certamente deve ter causado surpresa neles! – foi a brusca reviravolta do versículo 6: ‘Ele tinha ainda um filho bem-amado…’
Aqui está a “novidade” da parábola: já não se trata simplesmente de acolher os servidores de Deus – os profetas de antanho -, mas o seu próprio Filho. E a ambição desmedida que leva a assassinar o próprio Deus não perdoará o Filho dele! Com sua morte, não terão mais patrão, ninguém para lhes dizer o que fazer, ninguém para cobrar os frutos de seu investimento…
E aquilo que parecia um ponto perdido no passado histórico reaparece do burburinho do Séc. XXI: o grande objetivo consiste em desembaraçar-se de Deus, eliminar da consciência coletiva a imagem de um Criador que distribui dons e espera por frutos, o semblante de um Legislador que estabelece normas e traça divisórias entre o justo e o injusto, a verdade e a mentira, a vida e a morte…
Hoje como ontem, o olhar humano se recusa a ver um Pai e divisa apenas um feitor. Faz-se de cego à divina filantropia, e considera apenas as duas tábuas da Lei. Ali onde podia fitar o horizonte da misericórdia, fotografa apenas a ameaça do Juiz.
E Jean Valette conclui que, ao matar o Filho, os agricultores assassinos cumpriam, sem o saber, o amoroso desígnio de Deus: entregar ao mundo o Filho amado, os sumos sacerdotes, os escribas e os anciãos podiam sentir-se ao abrigo das acusações implícitas de Jesus. Nunca tinham matado profetas, mas veneravam muito os de outrora, a ponto de edificar-lhes monumentos. No entanto, o que eles não esperavam – e certamente deve ter causado surpresa neles! – foi a brusca reviravolta do versículo 6: ‘Ele tinha ainda um filho bem-amado…’
Aqui está a “novidade” da parábola: já não se trata simplesmente de acolher os servidores de Deus – os profetas de antanho -, mas o seu próprio Filho. E a ambição desmedida que leva a assassinar o próprio Deus não perdoará o Filho dele! Com sua morte, não terão mais patrão, ninguém para lhes dizer o que fazer, ninguém para cobrar os frutos de seu investimento…
E aquilo que parecia um ponto perdido no passado histórico reaparece do burburinho do Séc. XXI: o grande objetivo consiste em desembaraçar-se de Deus, eliminar da consciência coletiva a imagem de um Criador que distribui dons e espera por frutos, o semblante de um Legislador que estabelece normas e traça divisórias entre o justo e o injusto, a verdade e a mentira, a vida e a morte…
Hoje como ontem, o olhar humano se recusa a ver um Pai e divisa apenas um feitor. Faz-se de cego à divina filantropia, e considera apenas as duas tábuas da Lei. Ali onde podia fitar o horizonte da misericórdia, fotografa apenas a ameaça do Juiz. (Jo 3,36)

Orai sem cessar: “A nossa terra dará seu fruto…” (Sl 85,13)

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