AMAI-VOS! (Jo 13,31-33a.34-35) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Santa CeiaNa refeição de despedida – a Última Ceia – Jesus repete o mesmo ensinamento do Sermão da Montanha: “Ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Ora, eu vos digo: ‘Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem!’” (Mt 5,43-44)
Estamos longe disso, não é? Um correr de olhos nas manchetes ou nas redes sociais mostra a avalancha de ódio, tão letal quanto a lama da barragem rompida em Mariana. É um coral que cobra “vendettas”, punições, retaliações contra adversários, inimigos e… ex-aliados.
Neste Evangelho, Jesus já anuncia sua despedida: “Por pouco tempo ainda estou convosco”. De certo modo, ele prenuncia sua volta ao Pai, na Ascensão. Boa oportunidade para propor também a seus discípulos essa difícil ascensão espiritual que exige o amor mútuo, incondicional, universal. O próprio Jesus o define como um “novo mandamento”.
A Primeira Aliança não estava preparada para esta difícil escalada, observa Urs von Balthasar, simplesmente por falta de referencial. Faltava Jesus. Eis o seu comentário:
“É isto que ele chama de ‘mandamento novo’, pois se havia no Antigo Testamento muitos mandamentos, este ainda não podia ser formulado, pois Jesus ainda não havia apresentado o modelo de amor pelo próximo. Agora, temos apenas de contemplá-lo para conhecer e observar o único mandamento que ele nos dá, e que basta para todos.
Para dizer a verdade, este mandamento nos exige totalmente: já que Jesus deu a vida por nós, seus amigos, também nós devemos dispor toda a nossa vida a serviço do próximo, que deve ser nosso amigo.
Mas este mandamento novo e suficiente para tudo é, também, enquanto substância do cristianismo, o que lhe garante a perseverança: “Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos”. Nisto e somente nisto. Nenhuma outra característica da Igreja pode convencer o mundo da verdade e da necessidade da pessoa e da doutrina de Cristo. O amor irradiante vivido pelos cristãos será a justificação de todas as doutrinas, todos os dogmas e todas as prescrições morais da Igreja de Cristo.”
Claro que nos apresentam a mesma objeção: “Mas como amar um inimigo?” Creio que só existe um caminho: torná-lo nosso amigo. Dom Bosco cativou a amizade dos pivetes de Turim que assaltavam os passantes. Damião de Veuster abraçou os leprosos de Molokai que aterrorizavam até os familiares. Jesus deu a vida por nós, cujos pecados o levaram ao Calvário. Uma vez cativados, uma vez amigos, será mais fácil amar os inimigos…

Orai sem cessar: “Ele nos amou primeiro…” (1Jo 4,19)

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