AINDA ESTAVA LONGE… (Lc 15,1-3.11-32) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

PAIÀ primeira vista, parece apenas um detalhe, mas é rico de ensinamentos… O filho pródigo ainda estava longe quando o pai o “avistou”. Este olhar de longo alcance nos fala muito de nosso Deus.
Acompanhemos a bela meditação de François Haab:
“Ausente, silencioso, o Pai não estava menos presente. Todos os dias, ele esperava, vigiava a volta de seu filho. O Pai o vê de longe e logo o reconhece. Para Deus, mesmo longe já é bastante perto. Isto basta para que ele se aproxime. No entanto, o filho não se parece mais com o que ele era. Está irreconhecível. Em termos teológicos, o filho não é mais a semelhança do Pai.
Tomado de piedade à vista do filho, o Pai tem as ‘entranhas revolvidas’. A palavra ‘misericordioso’ significa ‘quem tem entranhas de mãe’. É o que Rembrandt quis expressar em seu quadro, ao pintar diferentemente as duas mãos do Pai que abençoava: uma de homem e uma de mulher, a mão que sustenta e a mão que acaricia.
O Pai se lança a seu pescoço. Não o deixa enfrentar sozinho o regresso à aldeia, onde deveria suportar zombarias, injúrias e, talvez, pancadas. É o Pai que toma sobre si a humilhação desse trajeto, como Jesus o fará por nós durante sua Paixão. E o cobre de beijos, enlaça-o com os dois braços. O verbo empregado por Lucas significa ‘abraçar muitas vezes’. E um longo beijo é o sinal de reconciliação. Assim, após uma disputa, a reconciliação era marcada por uma cerimônia onde os protagonistas se abraçavam publicamente.
O Pai não expõe o pecado de seu filho, mas cuida das de suas feridas, de modo que elas não deixem nenhuma cicatriz, nenhuma desonra. Lemos no Salmo 32,1: ‘Felizes aqueles cuja falta foi cancelada e o pecado perdoado’. É nesse momento preciso, sob os beijos paternos, que o coração do filho reconhece simultaneamente a enormidade de seu pecado e o imenso amor de seu Pai.”
Quase sempre, esta parábola é intitulada “do filho pródigo”. Alguns autores, como Joachim Jeremias, corrigem para parábola “do amor do Pai”, recolocando no foco o verdadeiro protagonista. De fato, muito mais que uma história de conversão, Jesus nos apresenta em detalhes humanos (como no pastor que recupera a ovelha, ou a mulher que busca pela moedinha) uma imagem de Deus Pai, cujo amor por nós supera infinitamente os estragos de nossos pecados.
Já conhecemos bem a treva de nosso pecado. Falta conhecer a ternura de Deus…

Orai sem cessar: “Senhor, gosto da casa onde moras!” (Sl 26,8)

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