COMO CORDEIROS… (Lc 10,1-9) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

CORDEIROJesus não enfeita as coisas. Ao enviar seus discípulos em missão, ele deixa claro que as coisas serão difíceis. Sua preocupação maior é com a atitude de seus enviados: vocês não são lobos, não são predadores, não vão viver da lã de seu rebanho. Ao contrário, vocês é que serão a presa, os cordeiros entre lobos famintos. Desarmados, inermes, sacrificados…
Urs von Balthasar comenta: “No grande discurso evangélico da missão, Jesus envia seus discípulos ‘como cordeiros no meio de lobos’. Imagem aterrorizante quando concretamente representada. Humanamente considerada, tal missão poderia parecer o ato de um irresponsável.
Jesus pode ousar algo semelhante unicamente porque o próprio Pai o enviou como ‘o Cordeiro’ entre os homens. Estes se comportam com ele como lobos, a fim de que seja alcançada a vitória do “Cordeiro imolado”, que o torna digno e capaz de quebrar todos os selos da história do mundo (cf. Ap 5).
Jesus veio entre os homens completamente desarmado; sua única arma era sua missão que, enquanto durasse, o protegeria do assalto dos inimigos, mesmo que, em certas circunstâncias, ele precisasse escapar deles, fugindo.
Desde o início, Jesus desarma aqueles – ‘operários pouco numerosos’ – que devem anunciar sua mensagem: eles devem primeiro desejar a paz, pouco importa que ela seja, ou não, aceita. Se ela não for aceita, não deve ser imposta por alguma violência, mas ir para outra parte.
Porém, tanto aos que a acolhem, quanto aos que a recusam, seus mensageiros devem anunciar que o Reino de Deus está próximo, a fim de que todos, considerada a brevidade do tempo, se preparem para sua Vinda. Eles não devem rejubilar-se com o sucesso, nem se perturbar com o fracasso. O sucesso não está incluído na missão, ele se encontra unicamente no Senhor das missões, que por sua cruz arremessou Satã fora do céu.
Somente o ‘Cordeiro de Deus’ foi vencedor, o ‘Leão da tribo de Judá’ – é a ele que se cantam no céu os grandes hinos de louvor (cf. Ap 5,5.9ss). Unicamente nele, e não neles mesmos, que os enviados têm ‘pleno poder sobre todo o poder do Inimigo’.
Esta certeza deve bastar como consolação aos enviados.”
E nós, os enviados de hoje, deixemos de lado todo sonho de grandeza e de poder, de honras e retribuições humanas. Nada de ilusões infantis…

Orai sem cessar: “Na tua mão, Senhor, está o meu destino!” (Sl 31,16)

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