SAI DELE! (Mc 1,21b-28) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

EXPULSACom este imperativo, Jesus liberta um homem habitado por um “espírito impuro”, causando a admiração de todos os presentes na sinagoga de Cafarnaum, pois “até os espíritos impuros lhe obedecem”.
Um dos atributos mais preciosos de Jesus Cristo é a sua missão “libertadora”. Alguns excessos cometidos por partidários de teologias que enfatizavam a libertação social, política e econômica não nos devem indispor com a “libertação humana”, mais necessária do nunca.
De fato, o Evangelho liberta. O apóstolo Paulo não se cansa de lembrar: “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Ficai firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão”. (Gl 5,1) Em uma sociedade onde eram numerosos os escravos, e até conhecidos filósofos justificavam teoricamente o estatuto da escravidão, a pregação do Evangelho constituía absoluta novidade.
Mas Jesus não se prende aos aspectos sociais e econômicos, ele vai além. Ele sabe muito que sua missão inclui a libertação espiritual. Seu “sermão programático” (Lc 4,18ss), inclui a “libertação dos presos” e a “liberdade aos oprimidos”. E não há pior opressão do que a escravidão do pecado.
Macário, o Grande [300-390 d.C.], nos fala dessa terrível escravidão: “A alma que caiu sob a servidão e a autoridade da treva das paixões do pecado é oprimida pela febre da lei do pecado; ela é imobilizada e inibida em relação às obras da vida, as virtudes perfeitas do Espírito Santo, pois é incapaz de cumpri-las de maneira irrepreensível, mas nada a impede de gritar para o único médico, clamar por seu socorro nem esperar pela salvação.
Deus só espera dos homens esta ocasião, pois o poder de fortalecer a alma, curá-la da febre do pecado e arrancá-la da tirania e da influência das paixões, este poder pertence a Deus e somente a ele está reservado. É ele quem irá pô-lo em jogo prontamente, como está escrito: ‘Ele fará justiça àqueles que clamam por ele dia e noite’. (Lc 18,7)
O próprio Senhor quer ser assim procurado, amado, acreditado e atraído pelo amor da alma para vir e habitar, reger e governar todo o seu pensamento e conduzi-la por inteiro para a vontade de Deus”.
O mesmo Libertador que expulsava os demônios nas sinagogas da Palestina permanece vivo entre nós, para reconduzir à liberdade plena todo aquele que invocar o seu nome.

Orai sem cessar: “Clamaram ao Senhor e ele os livrou…” (Sl 107,13)

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