QUE ELE CRESÇA, E EU DIMINUA… (Jo 3,22-30) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

cruzNem imaginamos a que ponto o paganismo e seus “valores” estão infiltrados em nossas circunvoluções cerebrais. Nosso corpo está na Igreja, mas nossa mente pode orbitar em outros mundos onde as lições do Evangelho permanecem à margem. Não fosse assim, não estranharíamos tanto a proposta de ser “pequeno”, de não buscar o crescimento, o destaque, a fama e o sucesso. Mesmo nas “coisas de Deus”…
Neste Evangelho, alguns discípulos de João Batista mostram-se enciumados com as multidões que procuram por Jesus (as mesmas que, antes, cercavam João)… E o Precursor, curto e grosso: “Importa que ele (Jesus) cresça, e eu diminua”. Este obscuro caminho para a pequenez, para a redução, para a amputação de si mesmo, chegaria ao clímax com a decapitação: perder a cabeça por Deus!
Não deixa de ser curioso como temos extrema dificuldade em ser pequenos. É como se estivéssemos perdendo algo, quando, na verdade, trata-se apenas do reconhecimento de nossa condição de criaturas, com tudo o que isto acarreta de fragilidade, dependência e identidade com o “húmus” de nossa “humanidade”. Não somos deuses, como prometia a tentação das origens. Dependemos em tudo da graça de Deus, sem a qual nada podemos fazer (cf. Jo 15,5).
Hora de voltar às lições da Pequena Teresa de Lisieux: “Quero encontrar o meio de ir para o Céu por uma via muito direta, muito curta, uma pequena via, totalmente nova. Estamos num século de invenções. Agora, não é mais preciso subir os degraus de uma escada, nas casas dos ricos um elevador a substitui com vantagens. Eu também gostaria de encontrar um elevador para elevar-me até Jesus, pois sou pequena demais para subir a íngreme escada da perfeição. […] O elevador que deve elevar-me até o Céu são vossos braços, ó Jesus! Para isso, eu não preciso crescer, pelo contrário, preciso permanecer pequena, que o venha a ser sempre mais”. (Manuscrito C, 271)
E a voz de Jesus a ressoar no deserto da pós-modernidade: “Eu te louvo, ó Pai, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”. (Mt 11,25) E ainda mais: “Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele!”. (Mc 10,15)
Não é por falta de aviso…

Orai sem cessar: “Senhor, não ando atrás de coisas grandes…” (Sl 131,1)

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