SÓ TEMOS CINCO PÃES… (Mc 6,34-44) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

jesusÉ imensa a multidão. E tem fome. Jesus contempla a paisagem da penúria humana e vê que são como ovelhas sem pastor. Logo ele, Jesus, que se apresenta como “o bom Pastor”
Não admira que o Mestre recuse a sugestão dos discípulos: despedir os que o seguiam e mandá-los de volta com fome. Jesus tem outra solução: “Dai-lhes vós mesmos de comer!”
“Dar o quê?” – perguntam os discípulos. “Não temos mais que cinco pães!” Fica bem claro que o problema é da Igreja. O problema é “nosso”. Não temos o direito de voltar as costas à multidão que tem fome, seja do pão de trigo, seja do Pão da Palavra.
Hébert Roux comenta a passagem: “Por esta ordem dirigida aos discípulos, Jesus indica claramente que ele leva a sério a miséria material do mundo, tanto quanto sua angústia espiritual. Ele não permite à Igreja deixar de lado as questões práticas e se desembaraçar dos problemas apresentados por alguma situação econômica. Tampouco permite justificar sua inação por sua impotência e pobreza, dizendo: ‘Só temos cinco pães e dois peixes’.
Menos ainda, Jesus sugere uma solução humana, uma nova organização da sociedade que viesse suprimir ou resolver a questão do pão. Numa palavra, Jesus se mantém igualmente afastado de um espiritualismo ignorante das realidades humanas, e de um messianismo terrestre e carnal que, sob o pretexto de aplicação e de realizações concretas, desconhecesse a realidade da graça que existe em Cristo”.
Aí estão bem nítidas as duas tentações que frequentam nossas comunidades: de um lado, viver um cristianismo aéreo, nefelibata, dirigido a homens sem corpo e sem fome; de outro lado, um cristianismo que conta apenas com o suor e o compromisso socioeconômico para socorrer a multidão sem pastor, como se Deus fosse alheio e indiferente.
Se Jesus aproveita a miserável contribuição humana – cinco pães e dois peixes – para saciar a multidão faminta, também é verdade que sua intervenção pessoal supera toda expectativa possível a partir da mesma contribuição. Assim aprendemos a contar com a Graça de Deus. Só ela possui o poder e o dinamismo para transformar – desde já – o panorama de uma humanidade faminta.

Orai sem cessar: “Senhor, tu preparas uma mesa para mim…” (Sl 23,5)

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