O SENHOR AMA SEU POVO… (Sl 149) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

amorQual é a natureza de nossa relação com Deus? Somos servos de um patrão exigente? Escravos de potências ameaçadoras? Ou filhos de um Pai amoroso?
Quando os espanhóis atravessaram o Atlântico e chegaram à América, encontraram as pirâmides escalonadas do culto ao deus Xipe-Totec, o deus da fertilidade dos astecas. Os degraus das pirâmides estavam coalhados de crânios de vítimas jovens, sacrificadas à fúria da divindade sangrenta. Muitas outras sociedades vivenciaram o mesmo tipo de culto, cujo objetivo era “amansar” deuses temíveis e neutralizar o mal que poderiam fazer.
Como pano de fundo, o medo. Ao perceber a própria fragilidade diante das forças da natureza, o “fiel” devia sacrificar ao espírito das águas, evitando as inundações, ou ao espírito do fogo, para escapar aos raios do céu. Em um mundo habitado por potências destruidoras, a religião nasce do medo.
Em outros cultos, o homem religioso apresenta-se aos deuses (ou aos demônios) com oferendas e objetos votivos para obter a simpatia dessas potências e alcançar graças e favores, como a saúde, uma boa colheita, uma prole numerosa ou, modernamente, passar no vestibular… O fiel é agora um servidor que se dirige aos deuses como alguém que enfia a moedinha na máquina para conseguir um saquinho de amendoim. Como pano de fundo, o interesse pessoal.
Já o Salmo da liturgia de hoje deixa bem claro que estas duas modalidades de religião são um grande desperdício, pois “o Senhor ama seu povo”. Assim sendo, Deus é o primeiro interessado em nosso bem-estar, em nossa felicidade, em nossa salvação. Acima de tudo, a salvação. Não precisamos amansá-lo nem adulá-lo: Ele nos ama.
Meditando este Salmo na versão latina da Vulgata [quia beneplacitum est Domino in populo suo], Santo Agostinho comenta os benefícios de Deus para nós:
“Que benefício maior que morrer pelos ímpios? Que benefício tão grande quanto apagar com o sangue do justo o documento da dívida do pecador? Que benefício tão grande como declarar: ‘Não me importa o que fostes; sede o que não fostes’? O Senhor beneficiou seu povo perdoando seus pecados, prometendo a vida eterna. É um benefício converter o adversário, ajudar o combatente, coroar o vencedor.”
Quando Deus olha para nós, ele repete a mesma frase que disse sobre Jesus: “Este é meu filho bem-amado, sobre quem deposito todo o meu agrado, todo o meu bem-querer”. (Mt 3,17) Assim, nossa religião, em resumo, é deixar-se amar…

Orai sem cessar: “Tu és meu Pai, meu Deus!” (Sl 89,27)

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