SE ALGUÉM ME QUER SEGUIR… (Mc 8,27-35) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

3547_seguir                É verdade que uma primeira experiência de Deus e seu apelo a uma vida nova podem ser uma experiência de luz e de alegria sem medidas. Mas seria infantilidade esperar que o seguimento do Crucificado consistisse apenas nesta espécie de lua-de-mel espiritual. O tabor antecede o Calvário…

Paul Evdokimov [19101-1970], teólogo ortodoxo e observador no Concílio Vaticano II, tem uma lição para nós:

“Este tempo é de curta duração. A face do Pai assume a figura do Filho e sua cruz nos obscurece interiormente. Nossa própria cruz se delineia nitidamente e já não há mais um possível retorno à fé simples e infantil de outrora. As dissonâncias dolorosas rasgam a alma em sua clarividente visão do mal e do pecado: é a tensão extrema entre os dois estados que se excluem mutuamente. A experiência brutal das quedas pode levar à beira do desespero.

É grande a tentação de gritar por injustiça, de dizer que Deus nos pede demais, que nossa cruz é mais pesada que a dos outros. Deus está de olho em nós neste instante decisivo. Ele espera de nossa fé um ato viril, a plena e consciente aceitação de nosso destino; ele nos pede que o assumamos livremente.

Ninguém pode fazê-lo em nosso lugar, nem mesmo Deus. A cruz é feita de nossas fraquezas e de nossas falhas; ela é construída por nossos impulsos que perderam o fôlego e, sobretudo, por nossas profundas trevas onde rumina a surda resistência e fica estagnada a inconfessável e cúmplice torpeza. Em resumo, a cruz tem o peso de toda a complexidade que é, nesse momento, o verdadeiro eu.

Os mais orgulhosos, os mais sedentos de amor próprio são precisamente aqueles que se sentem mal consigo mesmos, aqueles que se odeiam secretamente. Este momento infinitamente grave do encontro consigo mesmo exige o desnudamento, a visão imediata e total de si, em suas dobras mais secretas…

No momento da pesada solidão, somente a humildade vem em nosso auxílio. Reconhecendo a impotência radical da natureza humana, ela inclina o homem a depositar seu próprio ser, por inteiro, aos pés da cruz. E então, bruscamente, Cristo sustenta em nosso lugar aquele peso esmagador: ‘Aprendei de mim que meu jugo é suave e meu fardo é leve’. (Mt 11,30)”

Sim, assumir a cruz é uma exigência indeclinável. Mas é sempre Cristo que a sustentará por nós…

Orai sem cessar: “Senhor, a tua mão direita me sustenta!” (Sl 63,9)

 

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