A POEIRA DE VOSSOS PÉS… (Mc 6,7-13) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

SANDOs livros do Novo Testamento registram muitos gestos humanos cheios de significado. Entre outros, Barnabé e Paulo em Listra, rasgando as vestes como sinal de profunda repulsa e indignação (At 14,14); a multidão de Jerusalém forrando o caminho de Jesus com mantos e ramagens, como símbolo de uma acolhida cheia de entusiasmo (Mc 11,7-8); o governador Pôncio Pilatos no tribunal, lavando suas mãos em público para afirmar a própria inocência (Mt 27,24).
Neste Evangelho, Jesus exorta seus mensageiros a realizarem um sinal especial, quando a mensagem da Boa Nova fosse rejeitada por seus ouvintes: bater as sandálias uma na outra, para tirar a poeira delas. Segundo a Bíblia de Jerusalém (em nota para Mt 10,14), os judeus consideravam impuro o pó de qualquer outra região que não fosse a Terra Santa. O gesto de sacudir a poeira dos pés aplica a mesma noção às localidades que não acolhem a Palavra de Jesus.
Cabe, aqui, uma séria reflexão sobre nossa responsabilidade pela própria salvação. Claro, nós somos plenamente livres para escolher nosso caminho. Esta liberdade inclui a possibilidade de rejeitar as propostas do Evangelho, mas tal recusa não se faz sem um preço. Afinal, somos responsáveis por nossas escolhas.
O cenário da recusa humana se mostra ainda mais grave quando pensamos na figura de Judas Iscariotes, o traidor. Ele foi escolhido no grupo seleto dos Doze, ouviu os mesmos ensinamentos de Jesus, contemplou os mesmos gestos, presenciou os mesmos milagres e sinais e, na hora da verdade, traiu o Mestre.
Bater as sandálias e sacudir a poeira que se pegara a elas é um gesto muito forte: não temos comunhão em nada, nem mesmo na poeira. A recusa da Palavra anunciada é também uma recusa de comunhão. Ouvir e rejeitar significa uma amputação. Na verdade, é a mim mesmo que me amputo quando não quero ser um ramo da Videira-Cristo.
Sou livre para escolher meu próprio caminho, ainda que seja o trilho da solidão, do fechamento em mim mesmo, da cegueira diante do próximo ferido na estrada de Jericó. Mas estarei só. Farei de mim uma ilha. E não existem ilhas no céu…

Orai sem cessar: “Ensina-me, Senhor, o teu caminho!” (Sl 27,11)

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