E AS REVELASTE AOS PEQUENINOS… (Mt 11,25-30) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

02.10.2014_91a3243398fd7da1852fff0702562a03Um vaso cheio já não pode receber mais água. A ciência pode “inchar”, como adverte o apóstolo Paulo (cf. 1Cor 8,1b). Quem se julga muito sábio arrisca-se a desprezar o que lhe parece muito simples ou incompatível com seus hábitos racionais. Já os “pequeninos” – um diminutivo que se aplica normalmente às crianças – mostram-se abertos à revelação dos mistérios de Deus.

Impossível, aqui, não recordar S. Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, com sua “pequena via”, o caminho simples e humilde para a santidade. Quem leu “História de Uma Alma”, seus preciosos manuscritos autobiográficos, há de lembrar-se de suas palavras:

“Jesus sente prazer em mostrar-me o único caminho que leva para essa fornalha divina, e esse caminho é a entrega da criancinha que adormece sem receio no colo do pai… ‘Quem for criança, venha cá’ (Prov 9, 4), disse o Espírito pela boca de Salomão, e esse mesmo Espírito de Amor disse também que ‘a misericórdia é dada aos pequenos’. Em nome dele, o profeta Isaías revela que, no último dia,
.” (Man. B, 242.)

Quando a Igreja proclamou a Pequena Teresa como Doutora da Igreja, apenas se curvava diante de uma evidência: a grande sabedoria espiritual está na simplicidade da criança que se abandona e se deixa guiar pelo Espírito de Deus. De fato, a santidade não se confunde com heroísmos. Ao contrário, é feita de coisas ordinárias vividas com um amor extraordinário. Tanto que Teresinha ensinou: a maneira como apanhamos do chão um alfinete pode salvar almas…

Os soberbos e auto-suficientes torcem o nariz para a Pequena Via. Preferem conquistar a santidade como um pódio de vencedores. Apostam no “crescimento espiritual”, buscam pelo “controle da mente”, pela aquisição de poderes e pela posse de dons extraordinários. Ao final da maratona, seriam conhecedores de uma Gnose – um conhecimento reservado a poucos – que lhes permitiria galgar o Olimpo e nivelar-se a Deus…

E Deus se alegra em dar de graça aos seus pequenos tudo aquilo que a mente humana jamais poderia alcançar por seu próprio esforço. É ilusão otimista o credo pelagiano que pretende conquistar o céu com empenho e boa vontade. O abandono da teologia mística em nossos institutos de teologia revela o profundo desgosto dos “doutores” pelo “caminito” próprio dos “anawim”, os pobres de Deus.

Estou disposto a abandonar-me no colo de Deus?

Orai sem cessar: “Como uma criança no seio materno,

                        Assim está minha alma em mim mesmo.” (Sl 131,2)

 

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