A TRAÇA E A FERRUGEM… (Mt 6,19-23) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

barcoNo “Google” imagens, vejo uma série de fotografias do navio “Titanic” no fundo do mar. O espetáculo impressiona: corrimões roídos pela água salgada, fileiras de porcelana fina, garfos com os dentes quebrados, garrafas de vinho ainda arrolhadas, uma hélice atacada pela corrosão, um pedaço de âncora…
Estas imagens falam por si. Remetem a sonhos e ilusões, símbolos de poder e de riqueza, ao lado da falência de nossa arrogância e de nossas seguranças. Estas imagens entoam uma ode à ruína humana. No fundo do abismo, o alegre salão de festas transformou-se em túmulo frio.
No Evangelho de hoje, Jesus vem contrastar os tesouros do céu e os tesouros da terra. Estes valores terrenos, pelos quais tantos dedicam laboriosamente todo o esforço e toda a vida, têm como sua marca natural a efemeridade: eles não duram. Para acentuar a ilusão de posse que nos ronda, Jesus cita três agentes dos quais ninguém consegue escapar: a traça, a ferrugem e os ladrões.
Não quer dizer que os “bens” materiais não tenham valor. O que está em questão é o risco iminente de ter o coração apegado a eles e, em consequência, tornar os olhos da alma velados para os valores eternos. A relação do homem com os “bens” torna-se uma relação de serviço, semelhante à relação do súdito com seu imperador.
Ora, a adesão plena a um “patrão” deste planeta – seja ele o dinheiro, a fama ou o poder – torna a alma incapaz de servir livremente a Deus. A frase que ilumina todo o contexto é de fato radical: “Ninguém pode ser vir a dois senhores”. (Mt 6,24) A opção por um deles implica a rejeição do outro. Não outra escolha: ódio ou amor!
Por isso mesmo, a alguém que pretendia segui-lo, Jesus advertiu: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. (Mt 19,21) Esta frase de Jesus está na origem dos chamados “conselhos evangélicos”, que se concretizam, para os consagrados, nos votos de pobreza, castidade e obediência.
Qual seria o sentido desse “despojamento” voluntário? Sem dúvida, a liberdade. A experiência vivida por Francisco de Assis e proposta aos seus seguidores era, acima de tudo, um convite àquele alto grau de liberdade que torna possível o serviço incondicional ao Senhor de todos os senhores.
E o apóstolo João arremata: “O mundo passa, e também a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”. (1Jo 2,17)
Francisco, Teresa, Hélder… Eles escolheram bem…

Orai sem cessar: “Senhor, fora de ti não tenho bem algum!” (Sl 16,2)

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