UMA CASA DIVIDIDA… (Mc 3,20-35) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança

CASAOs generais romanos tinham um lema: “dividir para imperar”. Eles sabiam que um grupo social unido e coeso dificilmente seria vencido. Por isso, tratavam de provocar divisões no adversário para enfraquecê-lo. A falta de unidade e coesão solapa progressivamente todo o edifício social.
Também Jesus de Nazaré conhecia essa realidade. Via seu povo dividido em grupos religiosos irreconciliáveis (fariseus e saduceus), partidos opostos (anti-romanos e colaboracionistas, como os publicanos). Ele sabia que a divisão mina a sociedade, racha as famílias, corrói as comunidades.
É bem claro o princípio lembrado neste Evangelho: uma casa dividida não tem futuro. Se os que moram na mesma casa não reúnem suas forças, acabarão arruinados. Qualquer grupo humano – famílias, equipes de trabalho, empresas, comunidades e Institutos religiosos – estão sujeitos a esta mesma lei. As congregações possuem seu carisma de fundação como princípio unificador. As empresas adotam seus objetivos materiais como traço de união. A família precisa viver o amor como a ponte que a todos aproxima, como argamassa que reúne as pedras da s construção.
Mesmo em assunto de menor importância, como o futebol, o senso coletivo deve prevalecer sobre as firulas e as vaidades individuais. Tanto que os norte-americanos chamam esse esporte de “soccer”, acentuando seu lado “social” de interação e cooperação. A equipe treina em conjunto, dorme na mesma concentração e, natural, disputa a partida ao mesmo tempo, vestindo a mesma camisa. Se vencem, todos comemoram; se perdem, todos se sentem humilhados.
Neste Evangelho, os adversários de Jesus apostam em um absurdo: Jesus estaria expulsando demônios não pelo poder de Deus, mas pela potência do próprio demônio. Jesus repele esta autêntica blasfêmia com a simples lembrança dos efeitos destrutivos da divisão interna. Chega ao extremo de lembrar que não existe perdão para aquele que atribui ao demônio as manifestações do Espírito divino.
Nós somos herdeiros da fé apostólica. Assim como os atletas de uma equipe de revezamento, recebemos das gerações anteriores um “bastão”, que é o depósito da fé, e não podemos deixar que ele caia no esquecimento. Os mistérios da fé apostólica, que repetimos no Símbolo – o “Creio” – em cada Eucaristia, são o eixo de nossa unidade. Todo desvio dessa herança acaba por gerar a fratura e a discórdia, gerando facções e partidos.
Que posso fazer para estreitar os laços de minha família?

Orai sem cessar: “Oh! Como é bom e agradável
irmãos unidos viverem juntos!” (Sl 133,1)

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