FILHO DE DAVI… (Mc 12,35-37) – exto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Multidão_-_ícone_moderno_Copta_37529392-735748Em sua entrada triunfal em Jerusalém (cf. Mt 21), a multidão aclamaria a Jesus de Nazaré com o título real de Filho de Davi. Na prática, aquela aclamação significava reconhecê-lo como o Messias prometido a Israel.
Já no tempo do Rei Davi, quando este pensou em construir um templo para Yahweh, foi-lhe feita uma promessa (2Sm 7,12): um de seus descendentes ocuparia um trono eterno, e seria tratado por Deus como verdadeiro filho. Ainda que se tratasse de Salomão, a leitura posterior dos Padres da Igreja percebeu aqui uma alusão clara à pessoa do Messias.
No Evangelho de hoje, Jesus, tantas vezes interpelado de modo capcioso pela malícia dos doutores da lei e dos fariseus, devolve-lhes na mesma moeda. Como os escribas ensinavam que o Messias esperado era “Filho de Davi”, Jesus se vale de um texto do próprio Davi – o Salmo 110,1 – para mostrar que Davi, paradoxalmente, chamava o Messias de “Senhor”, um título divino, o que equivale a reconhecer que Davi lhe era inferior.
Claro que o povo simples se deliciava quando via a pretensa sabedoria dos “doutores” desmascarada pelos argumentos um simples aprendiz de carpinteiro. Sempre existirá um prazer especial em ver os poderosos caírem de seu pedestal… Em seu Evangelho, São Mateus registra que esse episódio foi a gota d’água: dali em diante, desistiram de apanhar Jesus em alguma armadilha doutrinária.
Também hoje, em nossos dias, proliferam aqui e ali muitos doutores a ensinar suas próprias doutrinas, suas teologias particulares, ainda que seus livros e estudos colidam de frente com a sã doutrina e a tradição multissecular da Igreja de Jesus. Curiosamente, não se envergonham de atacar a Igreja, a “Mãe” a quem devem tudo: acolhida, instrução e autoridade…
Sem prudência nem discernimento, eles ousam tratar arbitrariamente de questões delicadas como o homossexualismo, o aborto, o sacerdócio das mulheres e o próprio papel de Jesus como Salvador da humanidade. E se o Magistério eclesial se pronuncia, alertando sobre os erros ou emitindo sanções, os “doutores” se fazem de vítimas perseguidas pelo poder absolutista do Papa (sic). Naturalmente, o fiel saberá escolher entre os palpites de um teólogo e a solidez do magistério eclesial…
O Apóstolo Paulo bem nos preveniu: viriam falsos doutores, lobos com pele de cordeiro (At 20,29), a espalhar suas falsas doutrinas, semeando a dúvida e a divisão na comunidade. No fundo, compromissos de ordem ideológica, interesses financeiros e acadêmicos ou a simples vaidade dos soberbos, somada a feridas mal curadas, costumam explicar a rebeldia dos cismas e das heresias. Como disse Paulo, “a ciência incha” (1Cor 8,1)…
O povo simples e fiel prefere ficar com o Filho do Carpinteiro…

Orai sem cessar: “Hosana ao Filho de Davi!” (Mt 21,9)

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