DERRAMADO POR MUITOS… (Mc 14,12-16.22-26) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Comu“Sem derramamento de sangue, não existe perdão.” (Hb 9,22) O autor da Carta aos Hebreus estabelece o contraste entre os repetidos sacrifícios cruentos da Primeira Aliança e o sacrifício único e definitivo em que Jesus Cristo se ofereceu ao Pai, entregando-se à morte por nossa salvação.

Embora o significado nuclear da celebração eucarística esteja, hoje, na penumbra, com a santa missa transformada em festinha familiar, basta um exame atento das palavras da liturgia para perceber que aquilo que celebramos no altar é o sacrifício do Calvário, não repetido, mas tornado atual em forma sacramental.

Na solenidade de “Corpus Christi”, a Igreja deseja concentrar os nossos olhares sobre a oferenda salvífica que Jesus ofereceu ao Pai por nós naquele momento crucial da História: sua morte, livremente assumida, na cruz do Gólgota. Foi ali que ele bradou: “Tudo está consumado!” (Jo 19,30) A expressão grega do original [Tetélestai] recorda o carimbo com que o juiz romano declarava encerrado o processo em julgamento. Não há mais nada a fazer. Cumpriu-se!

No Primeiro Testamento, os ritos de purificação do povo de Israel incluíam a imolação de um cordeiro e a posterior aspersão de seu sangue sobre a assembleia de Israel. Foi também o sangue de um cordeiro, aspergido nos portais e batentes dos hebreus, na noite da libertação do Egito (cf. Ex 12), que lhes garantiu a proteção divina quando o anjo exterminador sobrevoou o país.
Mais tarde, quando João Batista viu Jesus aproximando-se do Jordão, prontamente o apontou a seus discípulos: “Eis o cordeiro de Deus!” (Jo 1,36) Assim, o Batizador identificava Jesus de Nazaré como a única vítima que Deus estava disposto a aceitar pela remissão de nossos pecados. Em cada missa, logo antes da comunhão, a Igreja repete a tríplice invocação dirigida ao Cordeiro de Deus, “que tira o pecado do mundo”.

No Evangelho de hoje, fazemos memória dos gestos e palavras de Jesus na última ceia com os seus discípulos. O Mestre lhes disse que aquele cálice – um dos quatro da ceia pascal judaica – era a libação de seu sangue, derramado “por muitos”, uma expressão hebraica que devemos entender “por todos”. Iniciava-se uma Nova Aliança, plenitude da Primeira, assinada com o sangue de Cristo. Trata-se, pois, de um canal de salvação ao qual todos, sem exceção, podem ter acesso, na pessoa do Filho de Deus que se encarnou para representar nossa humanidade junto ao Pai.

Celebrar “Corpus Christi” é bem mais que uma oportunidade para adorar Jesus Cristo em sua presença eucarística. É o momento de recordar que fomos salvos ao preço de sangue…

Orai sem cessar: “Ele carregava os pecados da multidão…” (Is 53,12b)

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