DEPOIS QUE A CRIANÇA NASCEU… (Jo 16,20-23a) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

mãeEstamos mergulhados no tempo. Nós somos atores em plena História. Por isso mesmo, uma perspectiva histórica é indispensável para bem avaliar nossa existência.
As crianças – imaturas que são – ainda não possuem esta perspectiva. Se elas querem uma bala, agora, mesmo que faltem dez minutos para o almoço, é “agora” que elas querem a bala. Em vão os pais se esforçam por levar o pequeno a resignar-se a um tempo de espera, antes que o momento do doce seja mais conveniente.
Bem, há imaturos também entre os adultos… Muitos marmanjos consideram apenas as injunções do instante para tomarem suas decisões, ainda que um segundo de ira ou dois minutos de prazer venham a comprometer todo o seu futuro.
No Evangelho de hoje, Jesus faz o contraponto entre o momento presente, de pranto e lamento, e o futuro de alegria. Para tanto, ele se vale da imagem da parturiente: na hora do parto, todo o seu corpo se revolve na dor e na angústia; pouco depois, tendo já nos braços o recém-nascido, a alegria presente praticamente apaga a dor e a ansiedade do passado. A vida nova justifica tudo o que passou…
A vida nova! É este o alvo do seguidor de Cristo! No momento atual, imerso no tempo tecido de encontros e desencontros, de promessas e traições, de suores e lágrimas, o cristão sofre. Esta é a nossa condição. Mas estamos em trabalhos de parto. Nós e o Cosmo!
O apóstolo Paulo se refere a esta realidade: “Sabemos que toda a criação, até o presente, está gemendo como que em dores de parto, e não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nosso íntimo, esperando a condição filial, a redenção de nosso corpo. Pois é na esperança que fomos salvos”. (Rm 8,22)
Diferente do pagão, para quem nada existe após a morte, o cristão sabe que as realidades deste século (imagem do tempo!) são provisórias, parciais, mesmo que nos forneçam o material para a construção do novo Reino. Esta percepção do efêmero, da transitoriedade deste mundo, permite ao cristão estender os olhos além da morte e esperar – contra toda esperança – pela alegria definitiva. “E ninguém poderá tirar a vossa alegria.” (Jo 16,22b)

Orai sem cessar: “Se de tarde vem o pranto, de manhã vem a alegria!” (Sl 30,6)

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