DOIS HOMENS SUBIRAM AO TEMPLO… (Lc 18,9-14) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

FARISEUO Templo de Jerusalém – o único lugar do planeta aonde os israelitas se dirigiam para adorar o Senhor – ficava no alto do Monte Sião, nas elevações da Judeia. Natural que o Altíssimo habitasse as montanhas. Para encontrá-lo, era preciso subir…
Pelo menos, era o que pensava um dos dois que entraram no templo, o fariseu. Membro do grupo dos perushim [os “separados”, que se apartaram da massa ignara para não se misturaram aos impuros!], estrito cumpridor das normas e preceitos do judaísmo, ele se sente realmente especial.
No espaço sagrado, ele sente necessidade de subir até Deus: em seu íntimo, eleva-se diante do Senhor, ergue os olhos, alça a voz e desfia uma lista de suas admiráveis qualidades, entre as quais a prática do jejum (duas vezes por semana!) e o dever do dízimo. Ainda teve tempo para confidenciar a Deus que não era “como os outros” – aos quais classifica como ladrões, desonestos e adúlteros. Como o publicano lá no fundo…
Lá no fundo, está claro. Lá em baixo. Ao nível do chão. Este publicano – um judeu que cobra impostos ao compatriota judeu e o repassa ao invasor romano! – sabe que está “lá em baixo”. Desprezado, mal-visto, mal-falado, um marginal no povo de Deus. Por tudo isso, não queria “aparecer”. Baixa a cabeça, baixa os olhos, colado ao piso do Templo. E assim se apresenta ao Senhor: “Sou pecador. Tem compaixão”.
Mendigo da misericórdia, recebe a esmola do perdão. Ao confessar sua injustiça, Deus o justifica. Aliás, não há outra forma de ser “justificado”.
E Deus, qual o seu papel nessa história? O beneditino François Trévedy no-lo revela: “Deus não diz nada. Para o fariseu, ele ri baixinho, com seu riso eterno. Para o publicano, ele sorri, e isto basta. E tu, que facilmente te consideras como cristão ‘engajado’, não desprezes aqueles que permanecem no fundo da igreja e vêm pegar, muito mais inquietos, muito mais sérios do que imaginas, um arzinho da missa. Conserva-te constantemente no lugar mais recuado de ti mesmo, no inferno de ti mesmo, e a ternura de Deus ali virá buscar-te para te dar a vida”.
Parece irônico, não? Temos insistido em subir às alturas de Deus, ignorando a mísera realidade de nosso húmus, quando ele próprio se despojou de toda humana grandeza, baixando para o rés de nosso chão e assumindo livremente a posição de um escravo (cf. Fl 2,7). Com a encarnação, o Altíssimo tornou inútil o nosso atletismo espiritual, pois a verdadeira religião tornou-se um caminho para baixo. Quem tentar a comunicação com Deus deverá abaixar-se também…

Orai sem cessar: “Tu não desprezas, ó Deus, um coração contrito e humilhado!” (Sl 51,19)

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