ENTRA NO TEU QUARTO… (Mt 6,1-6.16-18) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

quartoEm termos de vida de oração, nós somos eternos aprendizes. Dificilmente iremos encontrar alguém que se declare satisfeito com a oração que faz, pois são muitas as barreiras que dificultam nossa relação com Deus.
Hoje, vamos aprender com o monge beneditino François Trévedy, que reflete conosco sobre este Evangelho:
‘Quando tu rezares, entra…’ Entra. Eis a primeira palavra de Jesus sobre a oração, a primeira etapa do método que ele nos ensina. Entra. Desde já, a direção nos é indicada: é preciso ir no sentido do interior.
Entra. Vale dizer que nós estamos sempre do lado de fora; vale dizer que permanecemos fora por tanto tempo, que não rezamos; fora de nós mesmos, fora da Igreja, fora do mundo, fora de Deus. A oração nos leva a re-integrar nosso Domicílio e nosso Lugar; ela é a Páscoa de fora para dentro. Quando Judas foi para fora, ‘era noite’ (Jo 13,30). Tu também, por mais tempo que fiques de fora, se não te esforças por vir a ser um homem de oração, tu permaneces exilado nas ‘trevas exteriores’ (cf. Mt 25,30). Tão logo rezas, tu entras na luz, pois a luz está dentro.
Durante todo o tempo que ficas de fora, tu experimentas a tristeza. Entras? Eis a alegria! ‘Entra na alegria de teu Senhor’ (Mt 25,21). O irmão mais velho do pródigo, ‘próximo da casa, ouviu música e danças’, mas ele foi tomado de cólera e recusou entrar’ (Lc 15,25.28).
Do lado de fora, só existe agitação: ‘Esforcemo-nos, pois, por entrar no repouso’ do Senhor (Hb 4,11), no grande sábado da oração contemplativa. E seria tão simples entrar! No entanto, isto nos custa; preferimos a exterioridade. Entrar exige esforço. ‘Esforçai-vos por entrar’, diz Jesus (Lc 13,24). E é muito forte o verbo que Lucas emprega aqui: Agônizesthe eiselthein. ‘Lutai para entrar; agonizai para entrar’; a Páscoa pessoal de cada homem para sua interioridade supõe nada menos que uma agonia; um batismo, também, e uma renovação total, pois, ‘a menos que nasça da água e do Espírito, ninguém pode entrar’ (Jo 3,5).
Nós somos para nós mesmos a Terra Prometida, e a entrada tão laboriosa nesta Terra de interioridade constitui todo o drama de nossa história sagrada.
‘E eis que Tu estavas dentro de mim e eu estava fora de mim, e eu te procurava lá fora…’ (Santo Agostinho, Confissões.)
Para que, enfim, nós consintamos em entrar, é preciso que se exerça sobre nós a persuasão – até mesmo a violência – da Palavra do Servo que o Pai enviou com este mandato: ‘Obriga-os a entrar!’ (Lc 14,23).”
[Do livro “Orar em Segredo”, Ed. O Lutador, BH, 2009, trad. de A.C.Santini.]

Orai sem cessar: “Entrai exultantes em sua presença!” (Sl 100,2)

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