TIVE MEDO… (Gn 3,9-24) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

genetimposAntes do pecado, soberba e ousadia, curiosidade e orgulho. Depois do pecado, medo. Assim somos nós…
O medo brota da consciência de ter ultrapassado um limiar que não nos era permitido. Desde a mitologia clássica, multiplicam-se os tristes “heróis” que ousaram desafiar o Olimpo – como Prometeu – ou a própria limitação humana – como Ícaro. No caso de Adão, porém, o medo é mais profundo: ele teme ter perdido a afeição do Criador, sua fonte de vida. Por isso Adão se esconde…
Não posso deixar de ver no seu comportamento um traço de infantilidade. De fato, em termos ontológicos, a “criatura” era ainda uma “criança”. Recém-criado, não tivera ainda o tempo de amadurecer, crescer na sua própria experiência de vida e – claro – crescer na relação com seu Criador. É comum que um dom só seja valorizado depois que foi perdido. “Eu era feliz, e não sabia…”
Agora, Adão se esconde. E se justifica:
– Tive medo.
– Medo, Adão?! Medo de mim, que chamei você à vida? Medo de mim, que sou a sua fonte? Medo de mim, que sou o Amor?
Não sejamos cruéis com nossos primeiros pais. Teríamos feito igual ou pior. Também dentro de nós ainda oculta-se a resistência ao amor infinito sem o qual sequer teríamos chegado a existir. Ainda hesitamos em viver para o Amor. Em nos abandonar às mãos amorosas de um Pai (sabemos disso agora, em tempos de Nova Aliança). Ainda tememos um falso Deus que imaginamos áspero juiz ou ríspido policial, indiferente mecânico das engrenagens celestes ou sádico sacrificador sedento de sangue.
Não fora assim, como explicar os crânios humanos que cobriam as pirâmides escalonadas da América Central? Como explicar que mães sacrifiquem seus filhos em rituais satânicos? Como explicar que o nome de Deus seja usado para lançar mísseis contra os inimigos?
No Brasil de hoje, uma das principais reivindicações da sociedade diz respeito à segurança. O medo subjacente manifesta-se de modo concreto nos altos muros, nas barreiras de arame farpado, nas cercas elétricas, nos portões eletrônicos. Somos reféns do medo. Quando, porém, tomaremos consciência de que só existe um antídoto para o medo: o amor de Deus?
Deus é amor. E o amor afasta o temor. No coração do Novo Testamento, uma palavrinha aramaica, exclusiva da linguagem infantil, garante-nos que nosso Deus é “abbá”: paizinho, papai querido. Já não há o que temer…


Orai sem cessar: “Cantai ao nosso Deus, porque ele é amável!” (Sl 147,1)

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