O ESPÍRITO DE DEUS SOBRE AS ÁGUAS… (Gn1,1-19) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

criaçãoO Livro do Gênesis – porta de entrada para as Sagradas Escrituras – é rico de poesia e de simbolismos. Ainda que o gênero predominante seja ali o narrativo, o texto se deixa penetrar por imagens arrojadas, personificações da natureza, matizes de lirismo que ainda hoje despertam nossa admiração.
Logo na primeira página, vemos em ação um Deus Criador. Um Deus que trabalha para criar. Um Deus poeta (no sentido etimológico de poiéo, criar). A seu chamado, comparecem a luz e os lampadários celestes. As águas se ordenam e um tapete de verdura cobre a terra. Em suma, o caos se faz cosmo: antes tohu-bohu – termo hebraico que, com muita dificuldade, traduzimos por “informe e vazio” – o espaço da Criação obedece ao Logos, o princípio organizador de Deus, que estabelece leis para a matéria, para a vida e, logo a seguir, para o humano.
A leitura contemplativa do 1º capítulo do Gênesis revela uma “teleologia” na Criação: tudo tende para um fim, procura por um alvo. É Deus agindo por etapas, pois a obra da Criação evolui: um primeiro patamar inorgânico: luz e ar, água e terra. Agora possível, a vida vegetal constitui o segundo degrau. Com o alimento disponível, vem a terceira onda: a vida animal.
Enfim, para coroar a obra, o homem e a mulher serão chamados a reinar sobre a Criação, gerindo e tutelando o maravilhoso acervo de vida, com a missão de maximizar todo o potencial da matéria previamente disposto pelo Criador.
Mas, por enquanto, nossa atenção deve voltar-se para a frase do título: “o Espírito de Deus pairava sobre as águas”. Alguns Padres da Igreja viram nesta passagem o cuidado de uma ave-mãe a chocar o ovo da Criação em estado de vir-a-ser. Outros tradutores perceberam nesse verbo hebraico [que traduzimos por “pairava”, e que aparece uma única vez em toda a Bíblia, um autêntico hápax] a descrição do voo circular de uma ave de rapina que mergulha em direção à sua presa.
É bom saber que o Espírito Santo – como, aliás, toda a Trindade Divina – participa do contínuo trabalho da Criação. Há séculos, a Igreja o invoca no hino conhecido como Veni Creator:
Vinde, Espírito Criador,
Visita as mentes dos teus fiéis,
Enche com a graça celestial
Os corações que Tu criaste!

Orai sem cessar: “Enviai o vosso Espírito, e tudo será criado!”

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