EXPULSAVA OS DEMÔNIOS… (Mc 3,22-30) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

espíritoHá coisas que não se podem negar: a realidade se impõe aos olhos. Como observa Suzanne de Diétrich [1891-1981], “a força sobrenatural que está em Jesus salta aos olhos da multidão”. Como não podem negá-la, os fariseus tentam negar sua origem. E aquele que detém oficialmente o poder espiritual, mas que não o possui, dirige seu ódio contra aquele que se apresenta sem outro título que este mesmo poder.
“A advertência do Senhor, comenta S. de Diétrich, assume extraordinária gravidade: os homens que o acusam estão apostando a própria alma. Tanto para as obras de Satã quanto para as obras de Deus, há uma lógica profunda e imutável; umas são de morte, outras são de vida. Assim, aquele que é príncipe da morte não saberia produzir a vida sem destruir a si mesmo.
Logo, se Jesus pode destruir a obra de Satã, é que Satã nada tem em Jesus. O Reino de Deus se aproximou, e blasfemar contra sua obra é blasfemar contra Deus. Palavras graves com que Jesus prontamente desvela aos seus inimigos a divina integridade de seu ser, pois declara que o segredo de seu poder está em ter amarrado o inimigo em Si mesmo, antes de o amarrar nos outros. E que ali onde está Jesus, ali está o Espírito de Deus.”
Estamos diante de um importante ministério da Igreja: saber distinguir entre as inspirações do Espírito Santo e as sugestões desviantes do maligno ou da própria natureza humana decaída. Daí a importância de estar sob a orientação da hierarquia eclesial, em plena obediência, mesmo quando isto signifique adiar (ou mesmo abandonar!) projetos que nos pareceram inspirados.
Agente privilegiada da Renovação Biblica na Igreja, Suzanne de Dietrich põe-se a rezar:
“Senhor, nós somos este reino dividido contra si mesmo, que se apoia ao mesmo tempo em Deus e em Satã. O discernimento dos espíritos não é tão fácil quanto parece, e Satã se disfarça muitas vezes em anjo de luz, enganando aos outros e a nós mesmos.
Existe em nós uma nostalgia de unidade. E o princípio de contradição nos rege, tornando-nos incessantemente teus aliados e teus inimigos. Nós acreditamos que tínhamos varrido a casa, mas o demônio voltou acompanhado de outros sete, piores do que ele.
Nós não tínhamos chegado a amarrar o homem forte, e ele se ri de nós, enquanto dedicamos nosso zelo a denunciá-lo nos outros. Vem logo, Senhor Jesus!”
Penso de modo especial naqueles “fiéis” que se dedicam de corpo e alma, em tempo integral, a fazer guerra contra outras denominações religiosas, inflamados do mesmo ódio que gera as guerras e as vinganças. Não creio que o “espírito” que os move seja o Espírito da Unidade, a “luz dos corações”.
Não foi Jesus quem mandou guardar a espada na bainha? (Cf. Jo 18,11)

Orai sem cessar: “Não me prives, Senhor, de teu Santo Espírito!” (Sl 51,13)

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