FAZER O BEM NO SÁBADO? (Mc 3,1-6) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

universoHoje, a pergunta de Jesus seria sobre o domingo: é permitido fazer o bem em dia de preceito? Ou o cumprimento literal da lei deve deixar o homem em segundo plano? A criança atropelada deve voltar ao hospital na segunda-feira porque o cirurgião folga no domingo? A mulher deve fazer uma cesariana na sexta-feira porque o obstetra não pode esperar o parto natural no fim-de-semana? Deixo de ir à missa porque tenho sobre a mesa uma pilha de trabalhos acumulados?
Ora, Jesus tem um argumento insuperável: o próprio Deus continua trabalhando (cf. Jo 5,17) e dá o exemplo ao próprio Filho. É por isso que Jesus decide curar em pleno sábado o homem “de mão seca”. Lembrar que a palavra “cirurgia” vem de “cheir” [mão] e “ergon” [trabalho]; isto é, a medicina era um “trabalho manual” e, por isso mesmo, proibido no sábado judaico.
Santo Hilário de Poitiers [ca. 315-367 d.C.], bispo, liturgo e viajante, fala do permanente “trabalho” de Deus: “Na verdade, grandes são as obras do Senhor: ele tem o céu nas mãos, ele fornece a luz ao sol e aos outros astros, dá crescimento às plantas da terra, mantém o homem em vida. Sim, tudo existe e permanece no céu e na terra pela vontade de Deus, o Pai. Tudo vem do Pai e tudo existe para o Filho. De fato, ele é a cabeça e o princípio de tudo. Nele tudo foi feito. É da plenitude nele contida que, segundo a iniciativa de seu eterno poder, criou a seguir todas as coisas”.
Se Deus resolvesse “descansar” no sábado (ou no domingo cristão) o Cosmo iria desmoronar e voltaria ao primitivo caos. Deus permanece fazendo o bem dia a dia, sem ficar preso ao calendário. O Bispo de Poitiers continua: “O próprio Deus trabalha em dia de sábado? Certo que sim, pois de outro modo o céu desapareceria, a luz do sol se extinguiria, a terra perderia consistência, todos os frutos ficariam sem a seiva e a vida dos homens pereceria se, por causa do sábado, a força constitutiva do universo cessasse de agir”.
Sim, Deus é amor. Não existe melhor “definição” para a essência divina. E o Amor trabalha sempre, incansável, estável, definitivo. O amor não folga, não tira férias, não espera ocasiões especiais. O amor não é um sentimento adormecido, que se manifesta eventualmente, mas é uma modalidade do ser. Mesmo que algum Poder terreno venha a proibi-lo, o Amor estará disposto a quebrar normas e convenções para realizar – aqui e agora – sua tarefa inadiável: continuar amando.
Assim viveu Madre Teresa de Calcutá. Assim viveu Dom Bosco. Assim o Amor nos anime a viver…

Orai sem cessar: “O Senhor é santo em todas as suas obras!” (Sl 145,17)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s