FITANDO O OLHAR EM JESUS… (Jo 1,35-42) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

adorar2Ubi amor, ibi oculus. Onde está o amor, aí está o olhar. E toda a literatura renascentista insistiu neste traço singular da natureza do amor: ser despertado pelo olhar. A própria definição de “belo” que os antigos nos oferecem também parte do olhar humano : quod visum placet: belo é aquilo que agrada ao ser visto.

O Evangelho da liturgia de hoje chama nossa atenção para a importância do olhar. Quase poderíamos resumir assim sua mensagem: “dize-me para onde olhas e eu te direi quem és…” Mesmo que tentemos ocultá-lo, nosso olhar é altamente revelador. Já chamaram os olhos de “janelas da alma”. Com muita frequência, nosso olhar nos trai, revelando aquilo que gostaríamos de manter oculto. É que o olhar denuncia nossas preferências, deixa escapar nossos segredos…
Um exemplo simples? Que tipo de programa eu vejo habitualmente na TV? Que espécie de filme me atrai de modo especial? Guerras e conflitos? Romances e idílios? Intimidades amorosas? Violência gratuita? Programa policial? Pois aí está uma “re-velação” do meu íntimo. Uma retirada de véus que mal escondem nosso mundo interior.
No Evangelho de hoje, quando Jesus passa junto ao Rio Jordão, dois discípulos (de João Batista) fixam nele o seu olhar. Evidentemente, é o olhar de quem anda à procura do encontro. O olhar profundo que manifesta a sede interior. E esse olhar acabará sendo recompensado com o inesperado convite à intimidade, a oportunidade de conhecer o lugar onde o Mestre mora: “Vinde ver!”
Hoje, no meio de uma sociedade que contempla o mal, ainda existem fiéis apaixonados por Jesus Cristo. Sabendo – e crendo! – que Jesus está presente no sacrário, nas espécies consagradas, esses apaixonados se fazem adoradores. De olhos fixos no Senhor, eles se quedam em silêncio prolongado, como quem se expõe à luz de um sol espiritual para se encharcar no amor divino.
Em seu último Documento publicado, como uma espécie de “último desejo”, o Papa João Paulo II escrevia: “Permaneçamos longamente prostrados diante de Jesus presente na Eucaristia, reparando com nossa fé e nosso amor os descuidos, os esquecimentos e até os ultrajes que nosso Salvador deve sofrer em tantas partes do mundo. Aprofundemos na adoração a nossa contemplação pessoal e comunitária, servindo-nos também de subsídios de oração sempre marcados pela Palavra de Deus e pela experiência de tantos místicos antigos e recentes”. (Mane Nobiscum, Domine, 18.)
O Senhor Jesus anda esperando por nossos olhares…

Orai sem cessar: “Os meus olhos estão sempre fixos no Senhor!” (Sl 25,15)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s