ELE COME COM OS PECADORES… (Mc 2,13-17) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

comeNem precisávamos do Santo Evangelho para saber disso: basta contemplar a fila da comunhão, quando Jesus é nosso pão e alimento, para compreender que ele gosta de sentar-se à mesa conosco, isto é, com os pecadores…
O fato de Jesus “se misturar” aos publicanos (cobravam imposto para os romanos invasores…) e aos pecadores públicos (não frequentavam a sinagoga judaica…) é motivo de críticas e condenações por parte dos escribas e dos fariseus, mui dignos representantes do establishment religioso da época.
Pedro Crisólogo [+450 d.C.] comenta a passagem: “Deus é acusado de se debruçar sobre o homem, de se estender ao pecador, de ter fome de sua conversão e sede de sua volta, de tomar o alimento da misericórdia e o cálice da benevolência. Mas, meus irmãos, Cristo veio para esta refeição, a Vida veio entre esses convivas para que, condenados à morte, eles viçam com a Vida. A Ressurreição se deitou para que os que jaziam se ergam de seus túmulos; a Bondade se abaixou para elevar os pecadores até o perdão; Deus veio ao homem para que o homem chegue a Deus; o Juiz veio ao banquete dos culpados para retirar da humanidade a sentença da condenação; o Médico veio aos doentes para os restabelecer, comendo com eles; o bom Pastor abaixou os ombros para reconduzir a ovelha perdida ao redil da salvação”.
Belíssimas imagens! O Deus Altíssimo baixa, se rebaixa, se diminui, renega suas atribuições de Juiz e – cúmulo do absurdo! – assume nossa humanidade sem excluir uma genealogia (cf. Mt 1,1-6) de trapaceiros e pecadoras, como Jacó e Betsabé, idólatras e estrangeiras, como Acaz e Rute, adúlteros e prostitutas, como Davi e Raab. Mergulhado em nossa carne frágil e mortal, o Filho de Deus quer nos salvar de dentro para fora…
Pedro Crisólogo reflete: “Por que ele come com os publicanos e pecadores? Mas quem é pecador, senão aquele que recusa ver-se como tal? Deixar de se reconhecer pecador não é o mesmo que mergulhar em seu pecado e, em suma, identificar-se com ele? E quem é injusto senão aquele que se estima justo? No entanto, ó fariseu, tu leste a palavra do Salmo: ‘Nenhum ser vivo é inocente diante de Ti‘”. (Sl 143,2)
E mais: “Por todo o tempo em que estamos neste corpo mortal, a fragilidade domina em nós; mesmo se triunfamos dos pecados de ação, não podemos vencer aqueles do pensamento nem evitar toda injustiça. E mesmo se temos a força de escapar deles materialmente e se somos capazes de vencer toda falta consciente, como poderíamos nós abolir as faltas por negligência e os pecados da ignorância?”
Então, Jesus come com os pecadores? Ainda bem! Graças a Deus! Esta é a garantia de que haverá um lugar para nós na mesa de seu Reino…

Orai sem cessar: “Preparas uma mesa para mim…” (Salmo 23,5)

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