QUE ELE CRESÇA, E EU DIMINUA… (Jo 3,22-30) – exto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

cruzAdmirável a postura de João Batista! Logo ele, o maior entre os nascidos de mulher (cf. Mt 11,11), cheio do Espírito Santo desde a vida pré-natal (cf. Lc 1,41.44), sabe assumir uma atitude de “apagamento” diante de Jesus, o Filho do Pai…
Esta frase do Precursor – “Importa que ele cresça, e eu diminua…” – é exatamente o dístico escolhido por Matthias Grünewald para sua estranha “Crucifixão”, o painel onde João Batista, em intencional anacronismo, é postado de pé, ao lado da cruz, livro aberto em punho, com o enorme indicador apontado para o Cordeiro, a Vítima de Deus, que tira o pecado do mundo.
Creio que se trata de uma lição de grande atualidade para todos nós. Nestes tempos em que pretensos evangelizadores ocupam o lugar central do palco, sob luzes e spots, reduzindo a pessoa de Jesus a mero pretexto para capturar recursos e faturar audiência, João nos ensina a ficar na sombra, abrir caminho para o Senhor, nivelar suas veredas e, a seguir, “perder a cabeça” e sair de cena.
A lição vale também para nós, católicos, alertando párocos e agentes de pastoral para a necessidade de sair da frente de Jesus e deixar que o povo tenha livre acesso ao Salvador, sem ficar preso e dependente de suas mediações humanas. Evangelização e show estão em polos opostos, garante-nos o humilde Batizador. Com raras – e pouco duráveis! – exceções, o Evangelho não registra aplausos para a obra missionária; antes, vê-se a recusa, a oposição e os gritos de “crucifica-o!”
O evangelizador autêntico é uma pessoa preparada para o fracasso, disposta à exclusão, pronta para o sacrifício. Esta é a “hora” (cf. Jo 12,27b) ansiada pelo evangelizador, quando todas as potências do mundo se erguem para abafar sua voz e, cada vez com mais frequencia, sufocar-lhe a vida. Se chegar a este ponto, terá a confirmação de que foi fiel à sua missão…
Daí o risco de assumirmos a visão triunfalista – “somos mais que vencedores…” – que cairá por terra diante das primeiras dificuldades. Nosso Salvador só é vitorioso depois da morte. O evangelizador que não passa pela morte pessoal ainda não cumpriu sua tarefa no mundo.
Na primeira metade do Séc. XX, dois missionários italianos, padres de Bétharram, tomaram um navio para o Oriente. Após longa e insegura viagem, chegaram à China. Seguiu-se uma penosa jornada por ferrovia. A seguir, em lombo de burro, um escarpado roteiro pelas montanhas em direção à Província do Yu-nan. Com o atraso da viagem, começou a estação das chuvas e os rios subiram. Mesmo assim, os dois missionários tentaram a atravessar a correnteza e morreram afogados. Foi assim que cumpriram sua missão: dando a vida por Cristo. Um deles era irmão de meu ex-professor Pe. André Antonini.

Orai sem cessar: “Não a nós, Senhor, mas ao teu Nome dá glória!” (Sl 115,1)

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