CAMINHANDO SOBRE AS ÁGUAS… (Mc 6,45-52) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

águasSobre o lago, noite escura, apenas os Doze Apóstolos são testemunhas de que Jesus caminhou sobre as águas. Ninguém mais viu sua caminhada. Jean Valette, pastor da Igreja Reformada na França, fala sobre esta marcha:
“Ela não aconteceu diante dos fariseus que esperavam este gênero de demonstração para crerem, ou seja, para serem dispensado da fé. Ela ocorreu diante dos discípulos que, ao seguirem Jesus, deram o primeiro passo da fé sem nenhuma garantia. Esta caminhada interpela homens cuja fé ainda está quase toda reduzida ao amor que eles têm pelo Mestre, no qual essa fé precisa ser iluminada. Eles ainda não sabem a Quem estão seguindo. E como o amor é essencial, Jesus procura esclarecer sua fé dando-lhes sinais.”
Os racionalistas exigem provas. Não vão entrar no barco antes de terem comprovações palpáveis. Mas Jesus não dá provas a ninguém. Apenas sinaliza… Valette prossegue:
“Sinais, e não provas. A prova logo convence, pois obriga o homem a um gênero de fé que é apenas a submissão a uma evidência exterior. Porém, como ela não exige nenhuma participação do homem, nada saberia modificar nele a não ser suas crenças. Já o sinal é mais lento para penetrar, pois exige uma adesão pela qual o homem se acha interiormente transformado. Essa lentidão se manifesta nas dificuldades que os discípulos têm para crer.”
Basta o milagre para que nós creiamos? Seria a “prova” definitiva? Judas Iscariotes também estava na barca e…
Eis que as potências do mar se dobram diante da palavra e do gesto de Jesus Cristo. Ele domina os poderes demoníacos que habitam o oceano, sempre dispostos a reconduzir o caos inicial, anterior à ordem da Criação. E aqui temos o sinal da chegada do Reino de Deus: “é simultaneamente a vitória de Deus sobre as forças hostis desencadeadas na Criação e a utilização das realidades criadas para a salvação do homem”.
Juntamente com o sinal, o Mestre orienta seus seguidores aterrorizados pelo espetáculo da natureza hostil: “Não tenham medo!” Desde as origens o homem teve medo diante do fragor da tempestade, da fúria do vento, da voracidade das enchentes, do segredo da floresta, do mistério das cavernas. O mesmo medo que o levou a inventar rituais para dominar os “espíritos” da natureza, a pintar animais nas grutas, a sacrificar crianças aos deuses sangrentos.
E Jesus, que domina a natureza e a pacifica, vem repetir: “Não tenham medo!” A ignorância e a superstição podem elevar o homem a confundir Deus com o misterioso, o indeterminado. Deus pode ser associado a um fantasma e às imagens ameaçadoras do próprio inconsciente. Mais dia, menos dia, seremos chamados a caminhar sobre as águas. O medo tentará impedir-nos. A fé nos mostrará o caminho…

Orai sem cessar: “Tu me indicas o caminho da vida!” (Sl 16,11)

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