E HABITOU ENTRE NÓS… (Jo 1,1-18) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Georges_de_La_Tour_001Pobre Natal, transformado em festa de guirlandas e comércio, de champanhes e festins, de agrados para as crianças! Natal é outra coisa: Deus se fez carne. O Infinito se faz pequeno. O Onipotente se fragiliza. O Criador se faz criatura, tecida no seio da Mulher…
Natal? O Eterno invade nosso Tempo envolto da pequenez do pequeno ser: embrião, feto, bebê. O Altíssimo baixa, se abaixa, se rebaixa: vai precisar do banho das parteiras (como nos ícones da Natividade), vai depender do leite materno (como nos ícones da Galaktotrophousa), vai… morrer na cruz do Calvário…
Contemplando a tela de Georges de La Tour, uma Natividade, o teólogo Xavier Thévenot admira o Menino no colo da Mãe:
“O Verbo feito carne, se bem que ainda infante (isto é, não-falante) por meio da irradiação imperceptível e pacificadora de seu ser, já se revela como Deus. Mas um Deus tão discretamente presente a toda a realidade do mundo, que ele se abandona ao sono sobre os joelhos de sua mãe. Um Deus que dorme! Este é um tema que eu devo meditar quando sou tentado a compartilhar da atividade febril de nossa sociedade, ou ainda quando tenho impulsos de iniciar ‘estratégias apostólicas’ excessivamente desejosas de eficácia.”
Chocante, não? Deus desce das alturas para salvar a humanidade e começa por… dormir! Sereno, já mamou e… dorme. O pincel do pintor deixou-o bem satisfeito no colo materno. Deus se abandona à mulher, confia nela, relaxa e dorme. Ninguém se admire se, tempos depois, no Lago de Genesaré, em plena tempestade, o mesmo Menino se entregar ao sono enquanto os discípulos anteveem o desastre! Aquele que confiou na Mãe humana também confia no Pai divino.
Que tal encarar um novo modelo de Natal? Uma festa da confiança. Da entrega. Do abandono. Deus se entrega a nós para que nos entreguemos a ele. O Deus que se fez criança da Mulher para que nos tornemos crianças do Pai…
Assim, celebrando o Natal, fiquemos livres de toda crispação, de toda ansiedade, de qualquer ilusão a respeito de nossa autonomia, de nossa independência, de nosso dever de “ganhar a vida” (cf. Mt 10,39; 16,26). O Menino já ganhou por nós…

Orai sem cessar: “Minha morada estará junto deles…” (Ez 37,27)

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