TAL COMO A GALINHA… (Lc 13,31-35) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

JESUSUltimamente, virou moda adotar as águias como modelo de espiritualidade, alegando que essas aves de rapina voam muito alto. No entanto, correndo permanente risco de vida em Jerusalém, ameaçado pelos chefes do Templo e por Herodes (outro rapinador…), Jesus prefere identificar-se com as galinhas.
Eis o lamento do Mestre: “Jerusalém… quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne os pintainhos debaixo das asas, mas não quiseste!” (Lc 13,34) Muita gente já presenciou a maneira como a mãe galinha protege os filhotes de um eventual predador. Penas eriçadas, cacarejos agudos, a galinha reage intensamente.
Peço licença para ficar com Jesus. Deixo de lado as águias e prefiro uma espiritualidade aos rés do chão (ou do galinheiro). Afinal, que é mais “espiritual”: alçar altos voos e separar-se da realidade terrena ou abrir as asas para reunir os filhos? Dom Bosco reunia os pivetes, Madre Teresa reunia os mendigos, São Camilo reunia os doentes. Todos estes, santos de asas abertas para acolher e amar…
Nosso Mestre veio para unir e reunir os que estavam dispersos. Seu anseio mais profundo refere-se à unidade dos filhos de Deus: “Pai, que todos sejam um como tu e eu somos um!” (Jo 17,11.22) Ao atrair as ovelhas para si, o Pastor as reúne e as entrega ao Pai.
Neste Evangelho, o triste lamento de Jesus brota da recusa que seu povo ofereceu ao seu chamado. Ovelhas que não reconheceram a voz do pastor. Filhotes que ficaram surdos ao chamado da mãe. Israelitas que crucificaram o Senhor de Israel.
Como somos estranhos! Tão prontos a seguir um condottieri, um líder disposto a sacrificar nossa vida pelo ideal ou pela ideologia do chefe! E tão avessos a nos deixarmos acolher pela ternura maternal de um Deus que morre por nós…
E a pequena Teresa a suspirar: “Oh! Meu Deus, vosso Amor desprezado vai ficar em vosso coração? Parece-me que se encontrásseis almas que se oferecessem como vítimas de holocausto ao vosso Amor, vós as consumiríeis rapidamente. Parece-me que estaríeis feliz em não conter as ondas de infinitas ternuras que estão em vós…” (Manuscrito A, 238)

Orai sem cessar: “Protege-me, Senhor, na sombra de tuas asas!” (Sl 17,8)

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