EM DIA DE SÁBADO… (Lc 14,1-6) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

ROSTOPara o povo judeu, o shabbat era um dia sagrado. No sétimo dia da semana, o Criador fizera uma pausa para descansar (cf. Gn 2,2-3). Estaria cansado o Criador Todo-poderoso?
Claro que não. Deus é incansável, garante-nos Jesus: “Meu Pai trabalha sempre e eu também trabalho”. (Jo 5,17) E se este Deus incansável reservou um dia na semana para o repouso, ele pensava no homem.
Em sua onisciência – e conhecendo a humana ambição – Deus antevia um tempo em que o homem seria pressionado a trabalhar como máquina. Adivinhava, talvez, que crianças seriam acorrentadas aos teares ingleses no início da industrialização do Séc. XVIII, para que não interrompessem suas tarefas. Pressentiria que os operários de Honduras seriam forçados a usar fraldas descartáveis para que não fossem ao banheiro e, assim, não travassem a linha de montagem.
Deus tudo vê… E tratando-se de um Deus-amor, como o Criador tivesse criado o homem à sua própria imagem, ele teve a delicadeza de reservar um dia para que o homem se mostrasse senhor da Criação, e não mero dente de uma engrenagem infernal que devora o homem, seu sangue e seu suor. Até Charles Chaplin percebeu este absurdo!
Neste Evangelho, Jesus cura um hidrópico em pleno sábado. Na época, a medicina era considerada um “trabalho manual”. Vale lembrar que a palavra “cirurgia” vem de “kheir”, a mão, e “ergon”, o trabalho. Assim, Jesus estaria infringindo a Lei do Sinai.
Jesus pergunta aos presentes ao banquete se eles deixariam abandonado um filho que, em dia de sábado, caísse no fundo de um poço. Ninguém responde. Todos se calam. Extremamente fiéis ao repouso sabático, os fariseus nem abrem a boca…
A lição de Jesus é que existe uma hierarquia de valores até mesmo na Lei gravada na pedra. E nenhum valor supera vida humana. O grande mandamento supõe o homem vivo.
Além do mais, o Filho de Deus – que prefere apresentar-se como o Filho do Homem – é o próprio autor da Lei entregue a Moisés. Assim sendo, quem redigiu o texto da Lei pode alterá-lo quando julgar conveniente. E estamos conversados…

Orai sem cessar: “Volta, minha alma, ao teu repouso!” (Sl 116,7)

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