NAS MÃOS DOS HOMENS… (Lc 9,43b-45) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Nova Aliança.

10418871_823619341012243_6699678748634703669_nPara nos salvar, foi extremo o amor de Deus. Abandonou-se de fato à sua “filantropia”. Isto se percebe com nitidez quando contemplamos o impenetrável mistério da encarnação do Verbo de Deus. O Filho de Deus “desce” à Terra e entra em nossa História. E vem entregar-se nas mãos dos homens.
Os ícones orientais da Natividade (na verdade, seu título grego é “Gênesis”, pois ali os iconógrafos vêem o nascimento do Novo Adão, o primeiro representante de uma nova raça!) mostram o Menino recém-nascido nas mãos das parteiras. Maria, Virgem e Mãe, repousa na gruta. Uma bacia (geralmente no formato de uma pia batismal) foi preparada para o primeiro banho da criança. Ele é o Filho de Deus, mas, humanado, depende até de higiene corporal!
O ícone da Galaktotrophousa (a que alimenta com leite) mostra o Menino nas mãos da Maria, sendo por ela amamentado. O ícone da Apresentação no Templo fotografa a divina criança nos braços do velho Simeão, representando a Primeira Aliança, que há séculos aguardava pelo Messias Salvador. Os ícones da Paixão mostram Jesus entregue às mãos sangrentas de seus algozes. O ícone da Crucifixão mostra as mãos de Cristo cravadas no madeiro. Os ícones da Ressurreição mostram as mãos da Madalena, a pecadora, que tentam reter o seu Rabbuni. No Cenáculo, a mão direita de Tomé toca o lado aberto pela lança.
Apenas detalhes estéticos? Claro que não! São repetidos sinais do abandono e do despojamento – a kénosis – que Jesus Cristo aceitou para nos salvar. Foi em nossas mãos que ele se entregou. Mãos de pescador, como as de Pedro. Mãos de guerrilheiro, como as do zelota Simão. Mãos de traidor, como as de Judas Iscariotes. Na verdade, Cristo abriu mão de escolher as mãos que o tocariam. Ele decidira ir até o fim… (Cf. Jo 13,1.)
Ainda hoje, em nossas Eucaristias, Jesus se entrega nas mãos do celebrante. Abandona-se nas mãos dos ministros da Comunhão, que o levam até os enfermos. E se deixa recolher sem reservas nas mãos de cada fiel que o recebe em comunhão.
E nós? Ousamos nos abandonar nas mãos de Cristo? Ou ainda preferimos escolher o nosso próprio caminho?

Orai sem cessar: “Meu destino está nas vossas mãos…” (Sl 31,16)

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