ENTÃO, ENXERGARÁS DIREITO… (Lc 6,39-42) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

APONTARÉ bem humana a nossa inclinação a apontar os erros dos outros. Certamente, ao realçar os pecados de nossos irmãos, lançamos uma cortina de fumaça sobre nossos próprios pecados. É como se os erros de terceiros viessem a nos consolar de nossas próprias falhas: ¨eu sou… mas quem não é?¨

Até nossos filhos, quando repreendidos por seu comportamento impróprio (atitudes grosseiras, palavrões, roupas ousadas, pequenas trapaças, mentiras defensivas, colar nas provas…), tentam defender-se com o velho argumento: “todo mundo faz!”
Curiosamente, estamos sempre dispostos a estender um dedo acusador contra dirigentes corruptos e deputados que legislam em causa própria. Se, no entanto, examinarmos nossa vida pessoal, veremos que também estamos sempre dispostos a levar pequenas vantagens. Coisas banais, como “furar” a fila, regatear nas compras, gastar fosfatos para reduzir nossos impostos e – não podia faltar! – valer-nos de um “caixa 2”…
Fedro, um antigo fabulista latino, comentava que, quando entramos neste mundo, Júpiter, o deus supremo do panteão greco-romano, pendura em nós duas mochilas: em nossas costas, uma grande mochila, com nossos vícios pessoais; em nosso peito, outra mochila bem menor, com nossas virtudes. Daí, nossa facilidade em perceber e acusar os pecados alheios, fazendo vista grossa para os nossos…
No Evangelho de hoje, Jesus contrasta o pequeno (o cisco) e o grande (a trave de madeira). Apesar da enorme trave em nossos olhos, insistimos em denunciar o minúsculo cisco que atrapalha a visão do próximo. A sugestão do Mestre é que iniciemos um processo de conversão, fazendo penitência por nossas “traves”, purificando nosso olhar. Depois – quem sabe? – teríamos condição de ajudar os irmãos a enxergarem melhor.
Enquanto não aceitamos essa proposta, mereceremos de Jesus o rótulo de “hipócritas”: aqueles que usam máscaras, como os atores do teatro grego, simulando por fora sentimentos que, de fato, não existem em nosso íntimo. Como diriam nossos sábios avós, “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”…
Que pena! A caridade não combina com críticas e acusações…

Orai sem cessar: “Diante de ti, Senhor, pões nossas culpas,
E nossos pecados ocultos à luz do teu rosto.” (Sl 90,8)

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s