POR FORA… POR DENTRO… (Mt 23,27-32) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

máscaraEste Evangelho faz parte de uma série de mal-aventuranças proferidas por Jesus, ásperas advertências dirigidas contra seus adversários que se recusavam a reconhecer e acolher o Messias enviado por Deus, como os escribas e os fariseus.
Todo o discurso de Jesus é construído por uma série de oposições: por fora X por dentro, isto é, a aparência exterior e a realidade interior. O conhecimento da Lei mosaica e os atos externos de piedade não correspondiam absolutamente a um coração aberto ao anúncio da Boa Nova.
Teriam eles uma consciência clara de sua recusa? Anteviam algum tipo de risco ou prejuízo caso acolhessem Jesus como o Messias esperado? Teriam chegado a se interrogar, a conceder-se o benefício da dúvida, como o fizeram o fariseu Nicodemos (cf. Jo 3) e o doutor da lei Gamaliel (At 5,34ss)?
O que importa é trazer para nossa vida a advertência de Jesus. Até que ponto o meu “lado de fora” (atitudes externas, práticas religiosas, presença na comunidade, fé professada etc.) corresponde ao meu “lado de dentro” (valores, princípios, objetivos, intenções, decisões etc.)?
Vivemos em uma sociedade que valoriza ao extremo a “imagem” projetada pela pessoa, o que se reflete na maneira de vestir-se, na forma física, nos títulos e diplomas, nos bens visíveis, a ponto de uma pessoa ser desprezada ou descartada por suas roupas, sua linguagem, sua aparência.
Com o tempo, corremos o risco de enganar a nós mesmos, sem perceber o abismo entre as máscaras que usamos e a nossa íntima verdade. Para não ser enganado, o cristão tem meios a seu dispor que permitem uma varredura permanente de seu coração para identificar os “vírus” que falsificam nossos registros.
Um desses meios é o exame de consciência ao fim do dia, repassando pensamentos e palavras, atos e omissões, como rezamos no ato penitencial. Outra poderosa ferramenta para evitar a distonia entre cara e coração é a confissão sacramental, auricular, incluindo a acusação verbal dos próprios pecados. A simples fuga do confessionário já pode indicar uma dose condenável do farisaísmo que Jesus verberou.
Diante do Juiz, em nossa passagem para o eterno, de nada valerá a nossa aparência. Seremos julgados pelo nosso coração…

Orai sem cessar: “Senhor, tu me examinas e me conheces…” (Sl 139,1)

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