QUE ME FALTA AINDA? (Mt 19,16-22) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

EU (1)Eis a pergunta que o “jovem rico” fez a Jesus. É uma pergunta sincera, que brota do fundo do ser. E não se trata de um tipo qualquer, mas de um jovem fiel à Lei de Deus, cumpridor dos mandamentos do Sinai “desde a minha juventude” (cf. Mc 10,20).
Não é pouca coisa! Não são muitos que podem apresentar-se diante do Senhor com semelhante atestado de fidelidade. Eu não poderia… E tanto é verdade o que o jovem diz, que “Jesus, depois de fitá-lo, o ama” (cf. Mc 10,21).
Que daria o Senhor a um jovem que ele ama? Mais terras e rebanhos? Mais poder sobre o grupo social? Maiores dons espirituais? Que fará o Mestre para pacificar essa angústia interior?
Sim, o jovem que chegou correndo (cf. Mc 10,17) não está em paz. Cumpre a Lei. Toda a Lei. Todos os preceitos e mandamentos, mas algo lhe diz que não é tudo: “Que me falta ainda?” (Mt 19,20) Qual será o verme que rói um coração tão puro?
Bem, talvez não seja tão puro quanto parece… Ele não rouba nem mata. Ele honra pai e mãe. Ele não cobiça os bens e a mulher do próximo. Ele não presta testemunho falso. Mas…
Sim… Mas… E é nesse espaço ambíguo do coração humano que Jesus fixa seu olhar e percebe o apego à matéria, o apoio no dinheiro, a escravidão das coisas. E como Jesus o ama, não lhe dará nada mais. Ao contrário, vai propor que o jovem aceite perder. Abrir as mãos. Desvencilhar-se… para ser livre!
E aqui temos a resposta para quem fez a pergunta: “Que te falta ainda? Ora, falta ser livre. Livre para amar. Livre para seguir o caminho do Mestre sem perder tempo ponderando lucros e perdas, vantagens e prejuízos, conveniências e dificuldades… Sim, o jovem fez meia volta e se afastou. Mas sabia que tinha sido incapaz de escolher a melhor opção: “foi embora cheio de tristeza”.
Ouso dizer ao leitor que a história não acaba aqui, mesmo que o Evangelho se cale a esse respeito. Aposto que aquele breve encontro com Jesus transtornou a vida do jovem. Doravante, a contemplação das terras e rebanhos só lhe dava tristeza: eram eles as barreiras que o impediam de seguir o Mestre.
Não me espantaria se um anjo inconfidente me contasse que o rapaz acabou vendendo tudo, distribuindo aos pobres para – livre – seguir o Mestre.
Que faria você?

Orai sem cessar: “Senhor, a minha alma te segue de perto!” (Sl 63,9)

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