O QUE MANCHA O HOMEM… (Mt 15, 1-2.10-14) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

manchaEm sua ânsia de pureza ritual, os fariseus pregavam centenas de preceitos para evitar a “impureza”, entre estes a obrigação de lavar as mãos antes das refeições e a proibição de tocar em túmulos ou de comer determinados alimentos.
Jesus aponta em outra direção: aquilo que mancha o homem brota de seu próprio coração. Daí a necessidade de permanente vigilância, sustentada pelo jejum e pela oração. Eis a reflexão de Hesíquio de Batos [ca. 650-750 d.C.], monge do Mosteiro da Sarça Ardente, no Sinai:
“Aquele homem cuja oração não é pura de pensamentos, não possui armas para o combate. Eu falo da oração que opera incansavelmente nas profundezas inacessíveis da alma, a fim de que, pela invocação do Cristo, seja fustigado e queimado o adversário que nos combate em segredo.
Tu deves observar com um olhar penetrante, cheio de inteligência, a fim de reconhecer aqueles que entram. Quando os tiveres reconhecido, deves prontamente, pela refutação, esmagar a cabeça da serpente. Ao mesmo tempo, com um gemido, chama por Cristo. Então, farás a experiência do socorro invisível de Deus.
Como é impossível a um homem caminhar sobre a terra sem respirar, também é impossível purificar nosso coração de pensamentos passionais e dele expulsar os inimigos espirituais sem a invocação contínua de Jesus Cristo.” (Filocalia, T 3.)
Assim não são nossos rituais nem algum esforço atlético que poderiam purificar nosso coração, amassado da argila primordial. Os excessos da imaginação e as pulsões íntimas que denunciam as sequelas do pecado original só podem ser controlados pela Graça de Deus, continuamente solicitada, na atitude de filhos que dependem do Pai.
Permanece viva entre nós a heresia do velho pelagianismo, segundo a qual boa vontade e mangas arregaçadas seriam suficientes para nossa salvação. Heresia condenada exatamente por ser falsa e mentirosa. Não podemos salvar a nós mesmos, assim como um afogado, arrastado pela correnteza, não pode salvar-se puxando seus próprios cabelos.

Orai sem cessar: “Lavai-me totalmente de minha falta
e purificai-me de meu pecado.” (Sl 51, 4)

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