MOVEU-SE DE COMPAIXÃO… (Mt 14,13-21) -Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

pãesQuantos pães? Cinco. Quantos peixes? Dois. Quantas bocas? 5.000 – sem contar as bocas de mulheres e crianças, que a cultura da época não recenseava. Quantos cestos de sobras? Doze.
A pregação da moda ignora os números e as quantidades para realçar a importância da “partilha”, reduzindo o milagre ao esforço humano, às possibilidades do grupo, às realizações da comunidade.
Ora, amigos, ninguém dá o que não tem. Para partilhar, só tenho a minha fome, que vai de encontro à fome de meu irmão. Logo, devo procurar em outra parte a “explicação” do milagre, como se um milagre tivesse explicação…
Ou terá?
A única explicação dos pães multiplicados está no versículo 14: “Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes”.
É imensa a multidão. Maior ainda é a misericórdia desse coração movido por emoções e sentimentos, o coração de Jesus. No texto grego deste Evangelho, a palavra que traduzimos por “encheu-se de compaixão” é o verbo “esplagnísthe”, em cujo interior se esconde uma víscera do abdome: o baço. Temos, em português, o adjetivo “esplênico”, com a mesma raiz. Por isso mesmo, gosto da tradução da Ir. Jeanne D’Arc, OP: “Il est remué jusqu’aux entrailles pour eux” [Ele se revolveu até as entranhas por eles].
É impossível não pensar no termo hebraico rahamim, que o Antigo Testamento emprega para falar da misericórdia de Deus, mesmo antes da Encarnação do Verbo. Rahamim é um substantivo plural que designa o útero materno ou, por extensão, as vísceras do abdome, ali onde as emoções “dão frio na barriga” e somatizam em vômitos e soluços os sentimentos que nos abalam.
Neste Evangelho, a visão da multidão sedenta da verdade – mais que faminta de pão! – golpeia o mais profundo do ser de Jesus. Ele sente e ressente. Ele se comove. E faz o grande milagre…
E é por isso que nós ainda não fazemos milagres. O espetáculo diário contemplado por nossos olhos ainda não chegou a mexer com nosso baço, a revolver nosso fígado, a enternecer nosso coração. Os grandes santos da história da Igreja tinham as mesmas entranhas de misericórdia que moveram Dom Bosco, Dom Orione e Madre Teresa de Calcutá. Sejamos sensíveis…

Orai sem cessar: “Nós e nossos irmãos somos todos da mesma carne” (Ne 5,5)

(Dedico esta reflexão a minha ex-aluna Ruth C Hristina Oliveira…)

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