PARA ONDE VAIS? (Jo 16,5-11) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

QUOEsta é a pergunta que os discípulos NÃO fizeram a Jesus. Afundados na tristeza da notícia da partida do Mestre, paralisados pela iminência da separação, eles emudeceram e não perguntam nada…
Eis o grave perigo: quando deixamos de perguntar, como receberemos a resposta? Isto explica, talvez, que tantos cristãos se afastem da Palavra de Deus. É que a leitura habitual da Bíblia nos leva a questionar, a fazer perguntas. E, como nos diz Jesus, a quem bater, a porta será aberta (cf. Mt 7,7). Mas existe uma disposição interior (obviamente má!) que nos adverte do “risco” que corremos quando fazemos perguntas a Deus. Não se faz isto impunemente…
Quem leu a obra monumental do romancista polonês Henryk Sienkiewicz [1846-1916] sabe que a mesma pergunta acabou saindo da boca de Simão Pedro. Já em Roma, desanimado diante das dificuldades e da perseguição de Nero, o primeiro Papa se dispunha a deixar a cidade. Segundo antiga tradição, anotada em livros não canônicos, Pedro vê que Jesus, na mesma estrada, vem trazendo a cruz aos ombros para entrar em Roma.
É quando Pedro, surpreso pela presença de Cristo, pergunta: “Quo vadis, Domine?” [Para onde vais, Senhor?] E Jesus responde que caminha para ser novamente crucificado, desta vez na capital do Império. A visão foi suficiente para que o apóstolo voltasse a Roma e morresse na cruz como seu Mestre.
Este é um tempo difícil para a Igreja. Na verdade, cada época tem suas dificuldades próprias. Jesus teve a oposição dos saduceus. Paulo enfrentou a espada romana. Os mártires de Nagasaki foram mortos pelo Shogun de Kogukawa. Maximiliano Kolbe foi vítima do nazismo. Entretanto, vejo os “tempos modernos” como ainda mais arriscados, pois a perseguição frontal é ardilosamente substituída pela cooptação, o aliciamento, a propaganda, a sedução do dinheiro, do sexo e do poder – exatamente os antípodas da pobreza, da castidade e da obediência, os três “conselhos evangélicos”.
Hoje, os adversários da Igreja se disfarçam de fornecedores, traficando um anti-Evangelho embalado em celofane. Venenosos bombons. Esse veneno se infiltra profundamente nas universidades, nas academias, nas maçonarias, nas multinacionais. Ali, tudo é permitido, menos a cruz de Cristo.
Por tudo isso, é hora de fazer perguntas. Perguntar a Jesus: “aonde vais?” Perguntar a nós mesmos: “para onde vamos?” Tenho a convicção de que não ficaremos sem respostas…

Orai sem cessar: “O Senhor protege o caminho dos justos!” (Sl 1,6)

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