VOU PREPARAR-VOS UM LUGAR… (Jo 14,1-12) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

lugarComo o pastor caminha à frente de seu rebanho, Jesus Cristo, o novo Adão, é o primeiro homem de uma raça nova que fez aliança com Deus. Até mesmo na passagem deste mundo para o Pai, Jesus se antecipa a nós e ilumina o caminho a seguir.
O Evangelho de hoje, mais que em tantos outros dias, assume também um caráter notadamente sentimental. Afinal, trata-se de uma despedida: Jesus fala de sua “ida” para o Pai. Trata-se de uma difícil “ruptura” no modo de relacionar-se entre o Mestre e seus discípulos. Uma relação de profunda amizade, com todo o seu tempero humano: a amizade solidificada em quase três anos de convivência diária, entre milagres e privações, encontros e desencontros, aclamações e ciladas.
Chega, afinal, o momento inevitável da despedida. E Jesus deixa claro que não se trata de um “adeus”, mas um “até logo”. Na casa do Pai há muitas moradas. Indo à frente, Jesus prepara-lhes um lugar. O objetivo? Não interromper a amizade: “… para que, onde Eu estiver, vós estejais também…”
Onde será isso? No “céu”? Talvez não. Não seria esse “lugar” o próprio Jesus? Estar EM Jesus é estar NO PAI. Viver em comunhão com Jesus é antecipar o “céu”. Receber, em Pentecostes, a plenitude do Espírito Santo – que é o Espírito de Jesus – não é, já, estar “na casa do Pai”? Creio que sim.
Sim, é preciso reconhecer que nós estamos no mundo, mas não somos deste mundo. São Paulo Apóstolo usa a imagem bem concreta de uma tenda (cf. 2Cor 5,1-4) – uma barraca, que montamos e desmontamos a cada etapa do percurso. Figura muito apropriada para definir o aspecto provisório e efêmero desta nossa condição humana.
No entanto, ainda que “passageiros do planeta”, já trazemos dentro nós uma semente de imortalidade. Nossa alma espiritual não se extingue com a morte corporal e se projeta em Deus, no eterno. Por saber que este tempo é breve, o cristão sente acrescida a sua responsabilidade de realizar já a sua participação na edificação de um Reino que ainda não se vê plenamente realizado no meio de nós.
A promessa de Jesus, que aponta para um além, inclui a permanência de nossa amizade com Ele. A experiência da morte não interrompe nossa amizade com Deus. E isto é uma Boa Notícia!

Orai sem cessar: “O Senhor me esconderá na sua tenda!” (Sl 27,5.)

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