E OS SEUS OLHOS SE ABRIRAM… (Lc 24,13-35) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

cleofasJesus Cristo, o Verbo de Deus, é a luz do mundo. Ele abriu os olhos aos cegos. Recriminou os fariseus por causa da cegueira espiritual que os impedia de reconhecer o Messias enviado por Deus. Nós também podemos ser cegos.

Existe uma cegueira que resulta do ofuscamento pelas luzes do mundo. O brilho do ouro e da fama, as lantejoulas do sucesso profissional têm cegado muita gente. Há outra cegueira causada pela vaidade do saber: uma espécie de íntima arrogância ou sentimento de superioridade que nos põe na atitude do déjà vu: já vi, já li, já sei, nada mais tenho a aprender… Muita gente se deixou cegar na busca insana de prazeres e comodidades: para atingi-los, atropelam quem está no seu caminho.
São muitas cegueiras. Não conseguiríamos fazer uma listagem completa. No caso dos dois discípulos de Emaús, a cegueira nascera de uma falsa expectativa a respeito do Messias que, segundo se esperava, devia vir glorioso e vencedor. Quando veio Jesus, servo sofredor, humilhado, nu e crucificado, a decepção foi total. Esta tristeza assumida e recalcada, temperada por certa dose de vitimismo (Ai de nós! Ai de mim!), também pode velar nossos olhos e fazer-nos caminhar na direção errada.
Cléofas e seu anônimo companheiro de estrada fugiam de Jerusalém, decerto voltando às atividades que haviam exercido antes de seguir Jesus. Isto é, na contramão de sua vocação e missão. Foi nesse caminho que Jesus os interceptou e, afinal, pôs-se à mesa com eles. Quando Jesus tomou o pão, abençoou-o e o partiu – repetindo gestos bem conhecidos de seus próximos -, de imediato “os seus olhos se abriram”.
Não é uma “receita” bem prática para nós? Nós que nos deixamos levar pela rotina que cega? Nós que nos afastamos por algum tempo do convívio eucarístico? Nós que resolvemos caminhar para o passado e ignorar a missão atual?
Qual é, afinal, a receita salvadora? Sentar-se à mesa com Jesus. Buscar de novo a comunhão eucarística e ali, no Pão consagrado, fonte de vida nova, “re-conhecer” Jesus. Nesse “sagrado convívio”, os nossos olhos serão de novo iluminados e um novo entusiasmo virá dissipar a névoa do desânimo e da decepção com os irmãos, com a Igreja, com o próprio Senhor.
É a hora de nos deixar interrogar por algumas perguntas iluminadoras: Tenho procurado o alimento vital da comunhão eucarística? Algum pecado grave me impede de participar desse banquete? Por que não buscar o Sacramento do Perdão e reatar a amizade com Jesus?

Orai sem cessar: “Senhor, que eu veja!” (Lc 18, 41b.)

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