NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA… (Jo 20,1-9) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

10245379_640353846036377_2277667390208658638_nNós costumamos passar distraídos por este adjunto adverbial. Precisamos corrigir esta distração. Não se trata de um dia qualquer. Não é apenas mais um número na folhinha. É o dia “inicial”.
Sim, com a ressurreição de Jesus Cristo, a história reparte de um novo início. A História recomeça do zero. Teilhard de Chardin percebeu claramente esta guinada dos tempos e dos homens: “Cristo ressuscitou. A ressurreição, nós procuramos com certo excesso olhar para ela como um evento apologético e momentâneo, como uma pequena revanche individual de Cristo sobre o túmulo. Mas ela é coisa bem diferente, e muito mais que isso… A ressurreição marca a efetiva tomada de posse por Cristo de suas funções de centro universal”.
O Domingo de Páscoa – o primeiro dia da semana – é um dia inaugural. Dia original. Estamos diante de uma re-Criação. O novo Adão, vivo, dá a partida para uma nova história da humanidade. Eis que tudo se faz novo! (Cf. Ap 21,5)
Claude Rault comenta: “Estamos nos primeiro dia da semana. Não no ruído do big-bang inicial, mas na reconstrução silenciosa do universo e do homem a partir de dentro. Uma reconstrução à qual estamos, doravante, pessoalmente associados porque, com Jesus, também nós saímos de nosso túmulo. Agora, o discípulo que crê deixa a morte atrás de si. É também aí que se enraíza a vocação do discípulo. Se eu creio no Ressuscitado, minha morte já não está à minha frente; ela passou, está atrás de mim. A fé é uma saída do túmulo e uma entrada na plenitude da Vida, como o acontecimento de uma nova primavera. É incrível! É impossível deter-se nesta descoberta sem ser tomado por uma vertigem!”
Por isso mesmo, é perda de tempo correr até o túmulo enquanto ainda está escuro (cf. Jo 20,1). O túmulo está vazio. Resta apenas em seu côncavo um casulo vazio e oco, formado pelas bandagens que envolviam o corpo de Jesus, mantidas firmes pela mirra e pelo aloés solidificados. A borboleta voou…
Se nós fôssemos “produzir” a ressurreição de Cristo, iríamos fazer um megaevento: luzes, pirotecnia, fumaça artificial e, claro, muito som! Mas não foi assim… Tudo acontece fora dos olhos humanos. Tudo corre em silêncio. O mais absoluto silêncio.
Foi este silêncio total que marcou os dois discípulos que entram no túmulo vazio. Nada para ouvir. Tudo para ver. E o discípulo viu e creu. Bandagens por terra. O sudário à parte, enrolado. Silêncio e harmonia.
Talvez, um dia, nossas celebrações recuperem o silêncio da Ressurreição…

Orai sem cessar: “Conservei-me mudo, em silêncio…” (Sl 39,3)

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