METE A ESPADA NA BAINHA! (Jo 18,1 – 19,42) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

pedro cortaOs discípulos de Jesus não eram propriamente uns pacifistas… Além das frequentes altercações no interior do grupo, dois deles até ganharam o apelido de “filhos do Trovão” [os Boanerges], por manifestarem a intenção de invocar o fogo do céu sobre os samaritanos (Mc 3,17).

Convém lembrar que a Palestina estava sob dominação romana. As águias das legiões invasoras estavam por toda parte. Ainda que as autoridades religiosas e os herodianos compactuassem com a ocupação (e até lucrassem com isso!), no meio do povo havia um ódio surdo contra Roma. Houve revoltas populares e uma guerrilha permanente movida pelos zelotas. Os exegetas reconhecem um ou dois zelotas entre os Doze, em especial o segundo Simão (cf. Lc 6,15). Em outra passagem, o Evangelho registra que entre os Doze havia “duas espadas” (Lc 22,38).
Hoje, no momento da prisão de Jesus, Simão Pedro saca da espada e fere a cabeça de um dos homens enviados pelos sacerdotes do Templo, decepando-lhe a orelha. A pronta reação do Senhor foi um imperativo seco: “Mete a espada na bainha!” E, de imediato, tocou a ferida do servo, curando-o (Lc 22,51).
Creio que este exemplo é suficiente para que todo cristão desista, de uma vez por todas, do uso da violência para corrigir os erros individuais e sociais. Quando, nos últimos tempos, setores cristãos adotaram métodos e conceitos marxistas para “construir o Reino”, estimulando a luta de classes e acendendo rastilhos de ódio como reação aos pecados do sistema, certamente não seguiam os ensinamentos de Cristo.
Jesus se entrega. Abandona-se nas mãos de seus algozes. Nos primeiros tempos da Igreja, todo cristão sabia que seu futuro incluía os leões da arena e os carrascos do Imperador. E era com alegria – e sem ódio! – que eles enfrentavam o martírio no Coliseu e os trabalhos forçados nas minas de metal.
Jesus é o manso cordeiro antevisto por Isaías: “Brutalizado, ele se humilha, não abre a boca; como um cordeiro é arrastado ao matadouro, como uma ovelha emudece diante dos tosquiadores, ele não abre a boca.” (Is 53,7) É a esse mesmo Cordeiro de Deus que nos dirigimos, em cada Eucaristia, pedindo a paz: “Cordeiro de Deus / que tirais o pecado do mundo / dai-nos a paz!”
Ora, como pediremos a paz se tambores de guerra ruflam permanentemente em nossos corações?

Orai sem cessar: “Escuto o que diz o Senhor; Ele diz: ‘Paz’.” (Sl 85,9)

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