UMA MEDIDA BOA… (Lc 6,36-38) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Eliseu-Antonio-Gomes_EAG_Belverede_Trigo_farm155-by-Eden-ValleyQual será a medida do amor? Qual a régua do perdão? Qual o gabarito da misericórdia? Estamos sempre atrás de “medidas”, preocupados em fugir de uma entrega total, de uma rendição incondicional. E quando alguém se mostra generoso e apaixonado, agindo fora da medida racional, já não conseguimos evitar as críticas: “Carola! Louco! Fanático!” Não foi assim que o pai comerciante reagiu às esmolas excessivas feitas por Francisco de Assis?

Logo após editar o estranho mandamento do amor aos inimigos (Lc 6,27ss), Jesus (exagerado, não?) acrescenta outro imperativo duro de engolir: ser misericordioso na medida em que o “nosso” Pai também o é.

E para nos fornecer uma “medida” no exercício da misericórdia, Jesus de Nazaré toma de empréstimo o comportamento típico de um comerciante de grãos que deseja conquistar o freguês palestino. É o exemplo da “medida boa” (v. 38). O comerciante oriental está ali no mercado de rua. Costuma ficar agachado enquanto atende o comprador. Poderia ser o trigo, por exemplo. Como age o mercador?

Ele usa uma medida em forma de cone, que está presa entre seus joelhos. Derrama sobre ela os grãos de trigo, até enchê-la. Em seguida, dá umas pancadinhas à sua volta, de modo que os grãos se acamam e surge mais espaço no cone. O vendedor acrescenta mais trigo, para preencher o novo espaço. Gira rapidamente a medida em suas mãos, os grãos se juntam e aparece novo espaço. Torna a enchê-la. Agora, ele usa as duas mãos para apertar o trigo para baixo e o cone volta a oferecer um vazio no alto. Enfim, ele volta a preenchê-la e ainda faz um pequeno monte de grãos na parte superior.

Esta é a “medida boa, socada, sacudida e transbordante”. Não cabe mais nada. Uma medida em plenitude. Muito acima do normal, acima do “legal”, bem acima do sistema métrico.

Que é que Jesus pretende ensinar? Com a imagem do mercador, o Mestre nos ensina: Deus é assim. Assim é o “vosso” Pai. Ele sempre nos servirá além de toda medida humana. Deus é exagerado, pródigo, farturento… Deus não é avarento: jamais fará economia do seu amor por nós!

Depois de termos sido alvo de tanto amor, tanto perdão, tanta misericórdia – nós que estávamos condenados por nossos pecados (cf. Rm 3,23) -, ainda nos parece excessivo o mandamento de amar os inimigos?

Orai sem cessar: “O Senhor é bom; eterna é a sua misericórdia!” (Sl 100,5)

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