TRANSFIGUROU-SE DIANTE DELES… (Mt 17,1-9) – Tradução de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

transfiguraçãoJá ouvimos muitos sermões sobre a Transfiguração de Jesus no Tabor. Acolhemos as mais variadas interpretações. Ouçamos agora um cristão ortodoxo a esse respeito: o iconógrafo Bernard Frinking…
“O Reino se revela àquele que, pela fé em Cristo, aceitou verdadeiramente levar o jugo que virá, e que desde agora vive conforme sua fé. Galgando a Montanha da Transfiguração, ao colocarem seus pés nos passos de seu Mestre, os discípulos são elevados acima de sua condição simplesmente humana. O Senhor os prepara para receber a revelação de sua divindade fazendo-os subir, tal como sobre as vítimas sobre o altar do Templo. Eles serão definitivamente arrancados do mundo da ilusão, da obscuridade e da ignorância. Entrarão em um espaço que se situa além da morte e, ali, verão a manifestação da Vida incorruptível ao tomar parte nela.
Nossos Pais na fé nos fazem compreender que, quando o Senhor assim se mostra no esplendor de sua divindade, os Apóstolos, por sua vez, tornaram-se capazes de ver com os olhos da carne a Luz incriada de Deus. O lugar da visão é a Montanha Santa tão frequentemente representada nos ícones. Galgá-la significa separar-se do que está lá em baixo. Lembremo-nos de que os três apóstolos Pedro, Tiago e João foram escolhidos entre os Doze. E os Doze não foram escolhidos entre os demais discípulos? E os discípulos não foram escolhidos em Israel, e Israel entre as nações? Quatro separações, postas à parte, precederam a manifestação do Senhor do Universo, sumo sacerdote da Nova Aliança.
Mais do que explicar, a Igreja canta os mistérios da fé. A cada festa, a cada celebração, ano após ano, nós nos impregnamos dessas realidades que ninguém pode explicar e que fazem com que os sábios percam a razão. […] O ícone, que nos mostra a verdade de fé, tem uma extraordinária missão: a de mostrar o Reino da Luz. Neste mundo, nós somos cada vez mais invadidos pelas trevas, pela angústia da morte. Os jovens e as crianças estão cada vez mais angustiados com o conteúdo do mundo e todas as ameaças que pesam sempre mais sobre seu futuro. As crianças conhecem as misérias do mundo por todos os poros de seu ser.
Não é isto que devemos mostrar, mas a Luz, pessoas transfiguradas, a paz e a harmonia do Reino. É importante que possam ver que a Luz existe, que há seres que testemunham a alegria do perdão, da misericórdia, da Salvação, da Transfiguração. A Luz é uma realidade para quem vive dela: ela expulsa todas as trevas.”

Orai sem cessar: “Senhor, em tua luz vemos a luz!” (Sl 36,10)

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