QUEM PODERÁ SALVAR-SE? (Mc 10,17-27) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

andersonOs discípulos se assustaram. Daí a pergunta inquietante. Nós também devíamos imitá-los. Camelos gordos, dificilmente passaríamos pelo buraco da agulha. Até Jesus nos alertou: é impossível para os homens…
Meditemos no que nos diz o teólogo e pastor Helmut Gollwitzer, autêntico profeta na resistência ao regime nazista na Alemanha:
“Do ponto de vista humano, a questão da vida eterna só poderia culminar em um fracasso, chocando-se ao muro deste ‘impossível’! O destino ou as condições desfavoráveis da existência humana nada têm a fazer com este fracasso: a impossibilidade em questão é ainda mais grave. A falência do homem provém da servidão onde o acorrenta seu próprio eu. Assim ele fecha para si mesmo o caminho da vida eterna.
Os discípulos tão bem compreenderam o final do diálogo entre Jesus e um jovem rico, que eles estão aterrorizados. E veem a si mesmos nesse impasse. Descobrindo a universalidade do julgamento de Jesus, eles percebem a que ponto ainda estão acorrentados às riquezas desta vida. Subitamente, o acesso ao Reino se revela para todos tão estreito quanto para os ricos dos quais Jesus nos fala nesta parábola. Então, ergue-se a pergunta inquieta dos discípulos: quem poderá ainda ser salvo? Pois a lei compreendida como um meio de salvação ou um potencial humano de graça sempre bate de frente contra esse ‘impossível’.

Mas resta ainda uma possibilidade maravilhosa. E Jesus a proclama abertamente. Não o faz mais sob a forma de uma lei, sempre suscetível de falsas interpretações, mas sob a forma do Evangelho: isto ‘é possível para Deus’. Tal é a realidade do Reino de Deus trazida por Jesus. É na sua vinda que o ‘impossível’ dos homens se torna o ‘possível divino’. O que a Lei não podia fazer, Deus o realizou ao enviar seu próprio Filho. Tendo o homem fracassado diante do mandamento, Deus retoma agora em mãos a obra da salvação. O sentido da Graça é agora esclarecido.”
Aí está: a salvação não é uma conquista. É puro dom. Pura Graça! Não temos de arrombar as portas do céu a golpes de aríete. Basta aceitar com simplicidade e gratidão filial aquilo que o Pai nos oferece em seu Filho.
Ah! Tenho ouvido tantas pregações pelagianas, que nos conclamam ao esforço, à disciplina moralizante, à superação de nossas más tendências, como se isto dependesse apenas de nosso voluntarismo! Faz-se absoluto silêncio sobre a ação interior do Espírito Santo em nós. E o espectro do “impossível” ronda nosso coração cada vez mais…

Orai sem cessar: “Quando eu for erguido da terra, atrairei todos a mim!” (Jo 12,32)

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