SINTO COMPAIXÃO DESTA MULTIDÃO… (Mc 8,1-10) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

compaixão“Misereor” é o verbo no texto latino. Uma reação emocional de Jesus diante da miséria e da fome da multidão que o acompanha. Mas o original grego é ainda mais forte: “splagnízomai”, que podemos traduzir por “estou mexido até as entranhas” – um movimento visceral do homem Jesus, como se sentisse ele mesmo a fome e a sede da turba à sua frente.
Sentimos assim? Também somos sensíveis à fome do pão e à sede de Deus que corrói o ventre e o coração da humanidade entregue a si mesma? Ou já nos acostumamos a isso, alegando problemas sociais e assunto das hierarquias?
Se Luís Maria Grignion de Montfort atravessou a França de leste a oeste, de norte a sul, pregando missões, é porque ele se identificava com os sentimentos de Cristo. Se Damião de Veuster foi viver entre os leprosos de Molokai, no Havaí, certamente experimentou o remexer do estômago. Se Dom Bosco foi acolher os pivetes de Turim – apesar das críticas e condenações do próprio clero -, é que seu ventre também gelou diante daquela turba de abandonados.
A questão é religiosa, sim, mas é também uma questão ética que atinge a todos. Por isso, o Papa Francisco grita bem alto o “não a um dinheiro que governa em vez de servir”. E acusa: “Por detrás desta atitude, escondem-se a rejeição da ética e a recusa de Deus. Para a ética, olha-se habitualmente com certo desprezo sarcástico; é considerada contraproducente, demasiado humana, porque relativiza o dinheiro e o poder. É sentida como uma ameaça, porque condena a manipulação e degradação da pessoa. Em última instância, a ética leva a Deus que espera uma resposta comprometida que está fora das categorias do mercado. Para estas, se absolutizadas, Deus é incontrolável, não manipulável e até mesmo perigoso, na medida em que chama o ser humano à sua plena realização e à independência de qualquer tipo de escravidão. A ética – uma ética não ideologizada – permite criar um equilíbrio e uma ordem social mais humana. Neste sentido, animo os peritos financeiros e os governantes dos vários países a considerarem as palavras de um sábio da antiguidade: ‘Não fazer os pobres participar dos seus próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida. Não são nossos, mas deles, os bens que aferrolhamos’”. (Evangelii Gaudium, 57)

Orai sem cessar: “O Senhor saciou quem tinha sede.” (Sl 107,9)

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